Questões Sociais Existe uma onda de globalização do desespero, abordada no artigo anterior. Face a isso, qual o caminho da esperança? – Bento XVI dedicou as assunto a encíclica «Spe Salvi» («Salvos na Esperança»), 2007. Nela incluíu a proposta dos «lugares» de aprendizagem e de exercício da esperança» (nºs. 32-48). São estes os «lugares»: a oração; agir e sofrer; e o Juízo (final). Quanto à oração, a encíclica salienta, nomeadamente, que: não se «pode rezar contra o outro», e se devem evitar as «mentiras secretas» com que cada um «se engana a si próprio» (nº. 33). Quanto ao «Juízo», afirma que ele «é a imagem decisiva da esperança»; «uma imagem que apela à responsabilidade» (nº. 44). Quanto à acção, Bento XVI afirma que «toda a acção séria e recta do ser humano é esperança em acto», sendo recomendável que ela se traduza no «esforço quotidiano pela continuação da nossa vida e pelo futuro da comunidade» (nº. 35).
Tendo isto em conta, parece indispensável a dupla dimensão da acção humana: a pessoal e familiar; e a universal. Na pessoal e familiar, impõe-se a adopção de «estilos de vida» sustentáveis «do ponto de vista social, ambiental e até económico» (nº. 11 da mensagem papal para «a celebração do Dia Mundial da Paz – 1 de Janeiro de 2010»). Na dimensão universal, há que salvaguardar uma «visão larga e global do mundo» (ibidem). Quanto mais responsáveis formos nos nossos estilos de vida mais contribuiremos para o aprofundamente e a globalização da esperança. E o contributo será tanto mais si-gnificativo quanto mais nos irmanarmos com todas as outras pessoas, próximas ou distantes; particularmente com as pobres e excluídas.
Mais concretamente: parece indispensável uma acção intensa, no plano local, no nacional e no internacional. No plano local, refeva-se a consciência dos problemas aí verificados e a cooperação na procura das respectivas decisões. Para este efeito recomenda-se a participação em iniciativas locais de natureza económica, social, cultural ou ambiental; bom seria que, em cada freguesia, existissem dinamismos de desenvolvimento local, mesmo informal, e que um elevado número de pessoas e famílias neles interviesse activamente. No plano nacional, torna-se imperiosa a participação em actos eleitorais e na formação de opiniões públicas fundadas na justiça e na paz. Com base nessas opiniões, poderão surgir iniciativas diversas, tais como: a apresentação de propostas para a solução de proble-mas; a pressão para que sejam adoptadas soluções correctas; e também a actividade partidária consciente. No plano internacional, está ao nosso alcance a consciência dos graves problemas que afectam a humanidade e a cooperação com instituições e movimentos, confessionais ou não, empenhados na prestação de ajudas.
