Passamos 80% a 90% do tempo no interior de edifícios. É crucial que se pense na qualidade do ar interior e nos seus efeitos na saúde humana.
As pessoas passam, em média, 80% a 90% do seu tempo no interior de edifícios e consomem, em média, por dia, por habitante, 16 quilos de ar. Os dados foram relevados pelo IDAD (Instituto do Ambiente e Desenvolvimento), que promoveu o seminário “Qualidade do Ar Interior – Gestão, avaliação do impacto na saúde humana”, na Universidade de Aveiro.
Perante os dados referidos, fica patente que “a qualidade do ar interior é essencial”, afirmou Carlos Borrego, diretor do DAO /UA. Ora, a tão desejada eficiência energética pode ter efeitos negativos no ar, uma vez que, por causa dela, os edifícios são cada vez mais fechados à ventilação natural. Carlos Borrego realçou, por isso, que o seminário pretendeu contribuir para “conciliar eficiência energética dos edifícios com qualidade do ar interior”.
Mário Morais de Almeida, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, alertou para o fato de 10,5% dos portugueses sofrerem de asma, e 22,1% dos portugueses terem rinite alérgica, doenças que aliadas à má qualidade do ar interior têm repercussão negativa em termos de produtividade e de concentração nas aulas ou nos locais de trabalho.
Nos fatores alergénios mais comuns no interior dos edifícios, Mário Morais de Almeida inclui ácaros, baratas, ratos, animais de companhia, fungos e bactérias, tabaco (ativo e passivo). Este último entra também nos poluentes internos, juntando-se ao dióxido de azoto, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, partículas inaláveis, compostos orgânicos voláteis, formaldeído e ozono, entre outros. Estes fatores, tal como os primeiros, quando em associação potenciam ainda mais doenças como asma e rinite.
Ana Isabel Miranda, do DAO/UA, chamou a atenção para o facto seis por cento das mortes de crianças ocorridas na Europa terem como causa os poluentes atmosféricos.
C.F.
