Como a Igreja conquistou a sua liberdade em Portugal

I República Portuguesa e Igreja Católica

João Gonçalves Gaspar

Diocese de Aveiro

176 páginas

Escreve Mons. João Gonçalves Gaspar, contra o que será provavelmente o pensar comum, que “a situação da Igreja no séc. XIX, durante o tempo da Monarquia Liberal, não lhe era menos lesiva do que seria depois da Lei da Separação do Estado das Igrejas de 1911, embora em moldes diferentes”. Na realidade, o poder regalista, ou seja, antes da República, intervinha na organização da Igreja, na nomeação dos bispos, nas leis dos seminários, etc. Por isso escreve o autor, ecoando as palavras de Bento XVI a quando da visita a Portugal (“A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu na distinção entre a Igreja e o estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja…”, Lisboa, 11 de Maio de 2010) que “se houve pontos negativos com incontroláveis desacatos, injustas perseguições e múltiplas dificuldades que advieram da legislação civil, a Igreja também beneficiou muitíssimo, conquistando a sua própria autonomia, com muita persistência e tenacidade” (pág. 10).

Esta obra, de âmbito nacional, pretende, pois, esclarecer como lidou a Igreja com a implantação da República. Mas o volume não se detém no 5 de outubro de há quase 102 anos, agora que a data vai deixar de ser feriado. O livro começa com uma ampla visão da monarquia nos últimos anos (capítulo I) e estende-se até à “Decadência da I República” (cap. V), abordando nos capítulos do meio “A República que se impõe” (III), “A separação do Estado das Igreja ou a subjugação?” (III) e “No caminho do diálogo” (IV).

Neste livro temos um ótimo recurso para conhecer o catolicismo e a política portuguesa do primeiro quarto do séc. XX. Com D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que assina o prefácio, podemos agradecer ao autor “pelo manancial de factos e figuras que muito bem conjuga e pelo tom geral com que os aprecia e apresenta. É um bom contributo para nos revermos e perspetivarmos, em sociedade e Igreja”.

J.P.F.