D. Manuel Falcão (1922-2012)

Engenheiro de formação, de Lisboa, foi bispo no Patriarcado e em Beja. Depois de deixar a liderança pastoral escreveu a “Enciclopédia Católica Popular”.

O bispo emérito de Beja, D. Manuel Falcão, faleceu na noite de 20 para 21 de fevereiro, aos 89 anos de idade, na Casa Episcopal de Beja, onde residia. O seu funeral realizou-se na Quarta-feira de Cinzas, na Sé de Beja.

D. Manuel Franco da Costa de Oliveira Falcão nasceu a 10 de novembro de 1922 em Lisboa; após a conclusão do curso de Engenharia, entrou no seminário, em 1945, e foi ordenado padre pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

O novo sacerdote viria a distinguir-se pela promoção dos estudos de sociografia religiosa, a criação e lançamento do Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado, a criação do Secretariado de Informação Religiosa e a publicação do “Boletim de Informação Pastoral” (1959-1970), seguida do ‘”Boletim Diocesano de Pastoral” do Patriarcado (1968-1975).

O então padre Manuel Falcão procedeu ao primeiro recenseamento da prática dominical no Patriarcado (1955) e fez, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa e o Estado, o estudo do redimensionamento paroquial da Cidade (1959); mais tarde, já a viver em Beja, promoveu a realização e o apuramento do I Recenseamento da Prática Dominical em todas as dioceses de Portugal (1977).

Por Bula de Paulo VI datada de 6 de dezembro de 1966, foi eleito bispo titular de Telepte e auxiliar do cardeal-patriarca, com a ordenação episcopal a ter lugar a 22 de janeiro de 1967. A 24 de outubro de 1974, pouco depois da Revolução de abril, foi nomeado coadjutor por Paulo VI, com direito de sucessão do arcebispo-bispo de Beja, D. Manuel dos Santos Rocha, chegando à Diocese em janeiro de 1975.

A quando da resignação de D. Manuel dos Santos Rocha, por limite de idade, a 8 de setembro de 1980, D. Manuel Falcão passou a bispo diocesano, com entrada solene a 1 de outubro.

Em entrevista à Agência Ecclesia pelo 40.º aniversário da sua ordenação episcopal, o prelado falou dos 19 anos à frente da diocese alentejana, sublinhando o “bom entendimento” com as autarquias comunistas e da “tentativa de evangelizar o Alentejo através das missões populares”.

O falecido bispo criou em 1984 o Departamento do Património Histórico e Artístico e, segundo sublinha a nota biográfica hoje publicada pela Igreja Católica em Beja, “consolidou as bases financeiras da Diocese”.

D. Manuel Falcão resignou a 25 de janeiro de 1999, ficando como administrador apostólico da Diocese até à tomada de posse de seu sucessor D. António Vitalino Fernandes Dantas, no dia 11 de abril. O prelado decidiu continuar a viver em Beja, onde escreveu até à sua morte, no semanário diocesano “Notícias de Beja”.

Foi ainda autor da “Enciclopédia Católica Popular”, editada pelas Paulinas e disponível no portal da Ecclesia (www.ecclesia.pt/catolicopedia).