Naquela que poderá ter sido a última celebração do Corpo e Sangue de Cristo à quinta-feira, no dia 7 de junho, D. António Francisco afirmou: “Não é indiferente ao valor dado a esta solenidade a procissão que se segue à Eucaristia neste dia solene, percorrendo com o Santíssimo as ruas das nossas cidades, vilas e aldeias e manifestando por entre expressões de devoção espontânea uma verdadeira e bela piedade arreigada no mais profundo da nossa fé cristã”.
O Bispo de Aveiro realçou na homilia, na Sé de Aveiro, que a Eucaristia é o sacramento da presença de Cristo: “No substrato da Última Ceia há uma convicção firme: os discípulos e seguidores de Jesus não ficarão órfãos. A morte de Jesus não pode romper a comunhão com Ele. Ninguém há de sentir o vazio da sua ausência; os seus discípulos não ficam sós, à mercê dos condicionalismos da história”. A forma da celebração da missa foi mudando ao longo do tempo. Conforme a época, notou o prelado, “os cristãos foram destacando alguns aspetos e descurando outros”, mas “no centro de toda a comunidade cristã que celebra a Eucaristia está Cristo vivo e operante”.
A solenidade pode deixar de ser celebrada à quinta-feira e está suspensa nos próximos cinco anos, como estipula o acordo entre o governo e a Santa Sé, mas nunca os cristãos deixarão de testemunhar na rua a fé no Senhor presente no Pão e no Vinho.
“A Eucaristia molda-nos”
Aqui está o segredo da alegria da vida cristã e força da comunidade. Dele se alimenta a fé dos seus seguidores. Nenhuma outra experiência de fé nos pode oferecer um alimento tão sólido. O Seu corpo é um corpo entregue e o Seu sangue é um sangue derramado para salvação de todos. Não o esqueçamos. Nada há mais importante para os discípulos do Senhor Jesus do que a celebração desta Ceia do Senhor. Por isso temos de cuidar tanto da Eucaristia e temos de ser assíduos à celebração deste mistério santo da nossa fé. A Eucaristia molda-nos, vai-nos unindo a Jesus, alimenta-nos com a sua vida, familiariza-nos com o evangelho, convida-nos a viver em atitude de serviço fraterno e comunitário e sustenta-nos na esperança do encontro definitivo com Ele.
D. António Francisco
