Questões Sociais Na gravíssima situação social em que nos encontramos, torna-se imperioso atualizar as políticas de proteção, a fim de que nenhuma pessoa fique desprovida do mínimo indispensável para uma vida condigna. Nos artigos anteriores, foram referidas três vias de atualização: o progressismo ilimitado; o regresso às políticas assistenciais; e o humanismo integral. Verificou-se que as duas primeiras não parecem defensáveis: não é defensável o progressismo ilimitado, em consequência, pelo menos, da notória falta de recursos financeiros; e não é defensável o regresso às políticas assistenciais, sem direitos, porque ficaria gravemente afetada a nossa vida pessoal e coletiva.
O humanismo integral pode constituir uma síntese dos direitos sociais e da assistência, acrescentando-lhe um terceiro pilar – o desenvolvimento. É indispensável que se preservem os direitos sociais, como pilar básico da proteção social; para isso, torna-se imperioso conciliá-los com as limitações financeiras, priorizar as situações mais graves e considerar cada família no seu conjunto. A par dos direitos, a assistência social deveria basear-se nas relações de proximidade, beneficiar de articulações regulares desde a base local até à decisão política, e ser efetivamente universal, isto é: existir em todas as localidades; abranger todas as pessoas e famílias; considerar todos os problemas; recorrer a todas as vias de solução possíveis, mais perfeitas ou imperfeitas; e corresponsabilizar toda a população e suas instituições.
A participação no desenvolvimento económico-social é o terceiro pilar, que vem complementar os direitos e a assistência; tal como os direitos deve proporcionar as garantias possíveis de bem-estar; e, tal como a assistência deve caracterizar-se pela universalidade. A encíclica «Populorum Progressio», de Paulo VI, qualifica este desenvolvimento como integral; ele relaciona-se com o humanismo integral, no sentido mais amplo do conceito, defendido, entre outros, pelo notável filósofo cristão, Jacques Maritain.
