Questões Sociais O Governo anunciou recentemente um pequeno leque de medidas a favor do emprego de jovens desempregados; até lhe deu um título aparentemente sugestivo – «impulso jovem». As medidas reproduzem modelos que vinham de trás, consistindo basicamente na distribuição de dinheiro, como se ele abundasse. É abrangida apenas uma percentagem muito baixa de desempregados, e não existem expectativas consistentes de ficarem empregados no futuro. Trata-se de medidas caras e discriminatórias que excluem a maioria dos desempregados, jovens ou não, e das empresas; para além disso desvirtuam a concorrência económica sadia e a realidade laboral, financiando parte dos encargos salariais de algumas empresas.
Apesar de criticável, esta iniciativa governamental é bastante compreensível, no contexto da preguiça coletiva perante o desemprego; aliás as forças políticas e sociais das oposições também não têm apresentado alternativas fiáveis; pior do que isso, quase todas elas têm dado a entender que seria desejável a distribuição de mais dinheiro, independentemente de ele existir. A preguiça coletiva vem deixando pelo caminho dinamismos vários que surgiram ao longo do tempo. Deixaram para trás a legislação publicada em 1995 sobre o desenvolvimento sociolocal, em articulação com a economia social e a investigação. Deixaram para trás as virtualidades do mercado social de emprego» (diferente do mercado de emprego social), bem como as do Código Cooperativo, das iniciativas locais de emprego, das iniciativas de desenvolvimento local, dos clubes de emprego…; tudo isto se afirmou nos anos oitenta, sendo de notar que remontam aos anos sessenta algumas experiências de desenvolvimento comunitário. Para trás ficaram também os dinamismos que surgiram nos anos setenta, salientando-se a consagração da promoção do emprego e a interação do emprego e do desenvolvimento económico-social. Para cúmulo, até ficaram para trás algumas orientações fundamentais adotadas em 1964 pela própria Organização Internacional do Trabalho. Até quando vamos persistir no menosprezo da ação humanista e associativa?
