História e identidade de Calvão em livro monumental

Calvão comemorou 75 anos de freguesia em 2008 (a paróquia foi criada em 1927; é mais velha seis anos). Das comemorações fazia parte a edição de um livro sobre a freguesia que foi apresentado publicamente no dia 15 de Agosto. Valeu a pena a espera.

“De Gelfa a Calvão no concelho de Vagos” é um volume de 478 páginas que deve pesar perto de dois quilos. A obra foi coordenada por Paulo Sérgio Margarido Ferreira, um natural de Calvão, e contou com a colaboração de professores universitários de Aveiro e Coimbra (o coordenador lecciona nesta última universidade), além de dirigentes associativos, autarcas, padres, alunos universitários e professores do ensino básico.

O livro contém 15 textos, alguns com o perfil de estudos científicos, agrupados em duas grandes partes: “Os espaços e a população”, onde se fala da geografia de Calvão (“Gelfa” é o nome de origem árabe que se dava à terra árida e com pouca vegetação que foi Calvão em séculos passados), dos nomes dos lugares, da demografia, das arquitectura, das plantas e animais e até do falar local; e “Igreja e instituições locais”, onde se abordam a influência da Igreja na constituição do poso e as entidades como o Grupo Coral Santa Cecília de Calvão, o Grupo de Teatro, os escuteiros e o Grupo Desportivo, entre outros.

Apesar da extensão do livro, Paulo Sérgio Margarido considera que se trata de uma “investigação nunca acabada”. “Há muitas coisas por estudar, como por exemplo a gastronomia. Foi convidada uma associação, mas não foi possível fazer tal estudo”. Instituição que também não está suficientemente representada na obra é o Colégio de Galvão, que está a comemorar 50 anos (primeiro foi seminário menor, desde os anos 80 é colégio diocesano). Paulo Sérgio Margarido lançou publicamente um repto ao P.e Querubim Silva, director do Colégio, que colaborou na apresentação da obra: registar por escrito o meio século de história da instituição. “Deve haver abundantes documentos nos arquivos do Colégio”, afirmou.

Na sessão pública que decorreu na Junta de Freguesia, que apoiou a obra e a tem disponível para venda, o director do Colégio mostrou-se estupefacto com a sua “qualidade, abrangência e interdisciplinaridade”. Rui Cruz, presidente da Câmara Municipal de Vagos e calvonense, qualificou-a como um “quase diário de todos nós”.

J.P.F.