Sem o Homem não há desenvolvimento sustentável

A espécie humana está em perigo? “Espero que a vossa geração consiga fazer melhor do que a nossa”, disse Calos Borrego aos estudantes.

“Não comas hoje as sementes que vais precisar para as sementeiras de amanhã”. Este provérbio popular, citado por Carlos Borrego, é o cerne do desenvolvimento sustentável, tema central das primeiras Jornadas de Engenharia do Ambiente, sobre “novo paradigma económico e os desafios ambientais”, realizadas no Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da Universidade de Aveiro (UA), por iniciativa conjunta do DAO e do Núcleo de Estudantes de Engenharia do Ambiente da UA, com o patrocínio do IDAD (Instituto de Ambiente e Desenvolvimento) e da Associação Académica da UA.

Sociedade, Ambiente e Economia são os três pilares do desenvolvimento sustentável, no qual o Homem assume o papel fulcral, pelo que a sua adesão é fundamental para que ele se concretize. Para Carlos Borrego, diretor do DAO e do IDAD, a sustentabilidade não se consegue somente pela imposição de taxas e coimas, porque “não podemos fazer nada sem as pessoas”, tanto mais que ela também depende da “capacidade individual” para resolver as questões que se colocam diariamente.

Depois de historiar as várias “revoluções” que marcaram o desenvolvimento humano, desde a “descoberta da agricultura”, há cerca de 8.000 anos, até ao presente, Carlos Borrego alertou para o facto de estarmos a “chegar à situação em que as alterações são de tal modo rápidas que se pode chegar abruptamente a um ponto em que a espécie humana não se consiga adaptar a essas mudanças e inviabilize a sua continuidade”. No entanto, afirmou convictamente: “Acredito no futuro e acredito que vamos mudá-lo”. “Nós, humanos, não somos uma espécie em extinção”, acrescentou. Mas, para isso, é necessário reconhecer que “não é possível crescer sempre” e que “temos de saber parar”.

Após questionar se “o mundo conseguirá parar antes de atingir o colapso” e se “haverá tempo e dinheiro para isso”, Carlos Borrego deixou uma mensagem aos jovens alunos do curso de Engenharia do Ambiente, dizendo que “o destino está nas nossas mãos. Espero que a vossa geração consiga fazer melhor do que a nossa”.

C.F.

Resíduos são um recurso económico

Os “resíduos são um recurso” afirmou Fernando Leite, da administração da LIPOR (Serviço Intermunicipal de Gestão de Resíduos do Grande Porto), nas Jornadas de Engenharia do Ambiente realizadas na Universidade de Aveiro.

Cada vez mais os resíduos são “minas” onde se podem extrair uma enorme quantidade de minerais, com destaque para os raros e valiosos, incluindo ouro. Pode-se conseguir cerca de dez quilos deste metal precioso por cada quarenta mil toneladas de escória (cinza resultante da queima de resíduos para produção de energia).

Fernando Leite realçou que a LIPOR pretende aumentar a reciclagem e reutilização dos resíduos, através da recolha seletiva, diminuindo a percentagem de resíduos indiferenciados destinados a valorização energética. Neste momento, a produção de composto orgânico para agricultura é o destino dos resíduos orgânicos, enquanto os restantes resíduos recicláveis são encaminhados para as respetivas unidades de tratamento e valorização.

A LIPOR vai iniciar no concelho da Maia, em parceria com a Câmara Municipal local, a recolha seletiva domiciliária. Cada uma das cerca de 50 mil famílias daquele município recebe um ecoponto para fazer a seleção dos seus resíduos.