Grande amigo do primeiro bispo da diocese restaurada, Acácio Rosa deixou obra escrita, que só não é maior por causa da cegueira que o atingiu por volta dos 40 anos.
Acácio Vieira Rosa nasceu no lugar de Verdemilho, no dia 5 de janeiro de 1871, e faleceu no mesmo lugar, às portas da cidade de Aveiro, no dia em 20 de fevereiro de 1955.
Em Verdemilho, ao lado da estrada que liga a EN109 ao Largo Acácio Vieira Rosa (onde se ergue a sede da Junta de Freguesia de Aradas e a Igreja de S. Pedro), ainda se mantém de pé o casario cor-de-rosa da Quinta de S. Tomé, com a sua capela privativa que tem este apóstolo por patrono, meia escondida pelo arvoredo, onde Acácio Vieira Rosa viveu toda a sua vida, e que hoje é habitada pela sua filha, D.ª Armanda Rosa.
Companheiro de estudos, no liceu e no seminário, de D. João Evangelista de Lima Vidal, de quem ficou amigo íntimo, Acácio Vieira Rosa não concluiu o percurso de seminarista, optando por uma vida profissional no funcionalismo público, tendo trabalhado no Governo Civil de Aveiro.
Em simultâneo, Acácio Vieira Rosa exerceu uma intensa atividade na área da escrita, como escritor, com algumas obras editadas, e sobretudo como jornalista, pelo que manteve correspondência com importantes figuras políticas e intelectuais dos últimos anos da monarquia, tanto portuguesas como espanholas, como realça a sua filha, Armanda Rosa.
O primeiro livro publicado por Acácio Vieira Rosa, intitulado “A Nossa Independência e o Iberismo”, surgiu em 1893, quando tinha somente 22 anos de idade, mostrando a sua veia de polemista ideologicamente próximo da monarquia. No ano seguinte, iniciou a publicação do seu jornal “Vitalidade”, que se manteve até 1911. A publicação desempenhou papel decisivo na luta política entre regeneradores-liberais e republicanos, tendo ficado célebres as suas contendas com Homem Cristo, outro ilustre jornalista e polemista aveirense, com quem mais tarde, já cego, se reconciliou num encontro casual em sua casa.
Como monárquico, Acácio Vieira Rosa sempre aproveitou as páginas do seu jornal em defesa da monarquia em oposição ao regime republicano. No entanto, devido ao “fundamentalismo” republicano imposto após a revolução de 5 de outubro de 1910, que implantou a República e destronou a Monarquia, Acácio Vieira Rosa, por ser funcionário público, foi obrigado a aderir formalmente ao regime republicano, facto que acabou por se repercutir no seu jornal e ditou o seu encerramento em 1911.
Com pouco mais de 40 anos de idade, Acácio Vieira Rosa foi vítima de uma cegueira galopante, doença que o deixou completamente cego e o obrigou a pôr fim a uma carreira literária promissora. Mesmo assim, a filha, Armanda Rosa, lembra-se de ver o pai sentado junto à grande mesa da sala, que lhe servia também de escritório, a ditar para alguém que ia escrevendo, tentando contornar, desse modo, os obstáculos que a cegueira lhe punha à sua veia literária.
Amante das flores e dos trabalhos hortícolas
Apesar da intensa vida profissional e da atividade literária e jornalística, que desenvolvia em paralelo com as funções no Governo Civil, Acácio Vieira Rosa foi sempre um homem simples, como refere a filha. “O meu pai, quando chegava a casa, vindo do Governo Civil, mudava de roupa e ia para o quintal da casa, trabalhar na horta ou no jardim. Ele gostava imenso do jardim, onde tinha sempre canteiros com muitas flores, em especial rosas e violetas, que tratavam com muito prazer. Mas também gostava da trabalhar na horta. Isto, antigamente, era uma quinta. Tínhamos a capela, que ainda hoje está ao lado da casa, dedicada a S. Tomé, porque o meu pai era também muito religioso”, afirma Armanda Rosa.
Amizade com D. João Evangelista de Lima Vidal
Acácio Vieira Rosa foi amigo íntimo do aveirense D. João Evangelista de Lima Vidal, o primeiro Bispo de Aveiro após a restauração da Diocese. A amizade iniciara-se nos tempos em que ambos eram estudantes.
Como padre, D. João Evangelista de Lima Vidal celebrou na capela de S. Tomé. Mais tarde, voltou como bispo.
Em 1915, no livro “Pescando uma pérola. Bispo de Angola e Congo”, Acácio Vieira Rosa tece um enorme elogio ao seu amigo bispo, que fora nomeado para os territórios e povos de Angola e Congo.
É com orgulho que Armanda Rosa afirma: “O senhor bispo sempre foi muito amigo do meu pai e da nossa família. Ele tratava-nos por tu, tanto a mim como à minha irmã e aos meus dois irmãos. O senhor bispo era uma pessoa muito boa e muito nossa amiga”.
Cardoso Ferreira
Livros de Acácio Vieira Rosa
na Biblioteca de Aveiro
Na Biblioteca Municipal de Aveiro há alguns livros da autoria de Acácio Vieira Rosa, ou com prefácio / introdução da sua pena.
Entre eles, destacam-se “Impressões a vuela pluma” (Porto, Imprensa Moderna,1893), “Pescando uma pérola Bispo de Angola e Congo” (Aveiro, Typ. Silva Editora, 1915), “A nossa Independência e o Iberismo” (Lisboa, s.n.,1893).
Há ainda exemplares do jornal “A vitalidade”, propriedade de Francisco António Meirelles e dirigido por Acácio Vieira Rosa.
