Ainda a educação

A Educação é tema permanente de preocupação e reflexão. Tratando-se, na verdade, de formar pessoas, essa é a via de preparar e garantir o futuro das sociedades. O sucesso dessa tarefa, que é missão nobre e trabalho de todos, implica uma busca permanente, uma dedicação contínua, uma convergência de ideias e projectos.

Soa a pretensiosismo e tem subjacente uma filosofia que já vem dos anos trinta do século passado a defesa e promoção absorvente da escola de iniciativa estatal. Não exprime senão uma descarada intenção de direccionar a educação segundo pressupostos ideológicos, que hoje só difere na cor em relação à política educativa do Estado Novo.

É falso, é demagógico afirmar que “a escola pública é a garantia da igualdade de oportunidades para todos”, como o fez recentemente o nosso Primeiro Ministro.

Primeiro, importa dizer que o estatal não esgota o serviço público. A sociedade civil não se confunde com o domínio estatal. E é capaz de gerar e gerir instituições educativas que ofereçam serviço público educativo de qualidade e sucesso, abertas a todos. Ao Estado caberá dar suporte ser órgão regulador dessa pluralidade de ofertas.

Depois, a igualdade de oportunidades para todos não é a estandardização de um padrão educativo monolítico e direccionado. Não há educação sem intenção. As intenções várias permitem a oferta de matrizes várias, que darão, essas sim, a possibilidade de escolha, raiz de verdadeira igualdade de oportunidades para todos.

Sendo a educação um percurso de personalização, e não apenas de socialização e formação para a cidadania, exige uma visão integral da pessoa, que contempla também valores morais e espirituais, que um padrão educativo neutral não oferece. Será o concerto da variedade de projectos que permitirá não apenas a igualdade de oportunidades, mas a verdadeira conjugação dessa igualdade com a excelência, por via de caminhos personalizados.

São claras e incisivas a este respeito as palavras proferidas pelo senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, no fórum Risco de Educar, em Janeiro de 2007: “A perfeição do sistema educativo português não se atingirá quando todas as crianças e jovens frequentarem uma escola estatal. Caminhar-se-á para essa perfeição quando a sociedade gerar instituições de qualidade, com projecto educativo próprio e claramente definido, de modo a que os pais possam escolher em nome desse projecto educativo”.