A força da ressurreição dá alegria, liberdade e paz

Eco das palavras do Bispo de Aveiro no Tríduo Pascal Sacramento da dádiva que nos faz irmãos

Quinta-feira Santa,

Ceia do Senhor

“O gesto fundador da Eucaristia cria ainda hoje espanto nos cristãos e provoca incompreensão em muita gente. O pão que comungamos e recebemos como alimento é Cristo vivo, que aceita não apenas morar no meio de nós mas que é recebido em nós e se faz vida da nossa vida. Ao comungarmos o Corpo de Cristo nós queremos ser membros vivos do seu Corpo, que é a Igreja”.

“A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja é Corpo de Cristo, não como uma justaposição de indivíduos que se ignoram mas como verdadeiro corpo vivo, de que Cristo é a Cabeça. Comungar Cristo é receber o próprio Senhor e acolher a força do dom de que Cristo é portador para que aprendamos a reconhecer-nos uns aos outros como unidos no mesmo Corpo”.

“Nunca mais nos podemos dispensar de receber Cristo, nosso alimento e nossa vida, nem desligar-nos dos nossos irmãos. Estamos unidos a eles por um vínculo de vida que não podemos romper, sob o risco de nós próprios perdermos a razão de viver”.

“O sacramento recebido exige esta prática duma fraternidade real, como nos propõe o Papa Francisco, desde a primeira hora. É muito belo e profético o gesto deste Papa ao querer transferir a sua presença nesta tarde da sua Catedral de Bispo de Roma para celebrar a Ceia do Senhor com os jovens no Instituto Penal de Menores de Roma. A fraternidade cristã, vivida, celebrada e alimentada pela Eucaristia não é apenas sentimento, mas é compromisso. Mais do que dar apenas o pão a quem o não tem, importa ser irmão daqueles a quem alimentamos”.

A cruz é a ponte entre o mundo e Deus

Sexta-Feira Santa,

Paixão do Senhor

“A cruz de Jesus está plantada entre a Terra e o Céu, como uma ponte entre o Mundo e Deus. É cruz com raiz no chão humano e está erguida no sentido do horizonte do infinito. É cruz aberta em abraço divino a todos os que sofrem. É cruz, sinal de misericórdia e certeza de salvação para a Humanidade. É o símbolo mais conhecido e mais expressivo da nossa fé e da nossa identidade cristã”.

“A cruz de Cristo ensina-nos a rezar por todos os irmãos para quem a cruz é hoje peso e dor para que ela se torna libertação e Páscoa”.

“Sofrem tanto, alguns irmãos nossos! Vejo-os e compadeço-me. Mas isso não basta! Às vezes acompanho-os e consolo-os. Mas isso é ainda pouco! Sofrem na vida e no coração. Sofrem na solidão, no desemprego, na desventura e na doença. Sofrem tantas vezes rodeados de outros sofredores solitários. Sofrem ainda hoje tantos por seguir a Cristo e por ele deram a vida nos últimos tempos. Pela sua mensagem, pela sua ousadia, por serem Seus discípulos! Por serem verdadeiros, por serem justos, por serem pobres, por serem honestos! Fazemos do cristianismo tantas vezes um prolongado raciocínio e uma bem construída argumentação, mas não damos um passo nem temos um gesto, nem tão pouco assumimos a ousadia de uma ação para ir ao encontro de Cristo e dos nossos irmãos”. “Aprendamos com o Papa Francisco o valor dos gestos simples e das palavras evangélicas para fazermos da Igreja a Igreja de Cristo, de portas abertas onde todos possam entrar e sentir-se acolhidos, amados e felizes”.

A Igreja renasce desta fonte viva

Sábado Santo,

Vigília da Ressurreição

“A Igreja não cessa de nascer e de renascer desta fonte viva que é o acontecimento pascal, este acontecimento que vem buscular as categorias humanas. Aqui se revela que todas as injustiças humanas e violências do mundo não impedem a vida de Deus de se desdobrar em nós e que as maiores feridas humanas e sociais nos abrem também a esta força da ressurreição, que dá alegria, liberdade e paz”.

“Desta Igreja Catedral, igreja mãe da Diocese, saúdo todos os catecúmenos e todas as crianças, hoje batizados em toda a Diocese e saúdo desde já as crianças das nossas catequeses que, depois de três anos de caminhada catequética, vão ser batizadas proximamente. E são muitas dezenas! Demos graças a Deus! Quero saudar, igualmente nestes tempos difíceis onde parece que as leis aprisionaram o direito a nascer e que se asfixiou no coração humano a alegria do acolhimento da vida, todas as famílias que acolhem no seu regaço ou aguardam com alegria o nascimento dos seus filhos. Aconchegai-os com o carinho e ternura de pais e de mães. Eles são dons de Deus. Eles são bênção do vosso amor fecundo e generoso. Que Deus os abençoe!”

“Esta não é a hora de olhar para o sepulcro vazio. É a hora de partilhar a alegria que Deus nos dá, fazendo de nós um povo de batizados, um povo de crentes, um povo de irmãos e de irmãs que se encorajam a viver de Cristo ressuscitado, o Senhor. É este o sentido e o horizonte da nossa Missão Jubilar: fazer de nós um povo pascal, feliz e decidido a anunciar as bem-aventuranças do Reino. Temos na nossa mão uma grande missão, que nasce desta força da Páscoa, que dá sabor à vida! Sabemos que a nossa casa é o mundo, que a nossa arma é o amor redentor de Cristo e que o nosso tempo é agora!”