“Tornai as vossas vidas lugares de beleza”

Educação “Tornai as vossas vidas lugares de beleza”. Foi tendo presente este apelo de Bento XVI ao mundo da cultura (Centro Cultural de Belém, 12 de Maio de 2010) que os professores de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica) da diocese de Aveiro se reuniram com o seu Bispo, em reflexão, oração, celebração.

O encontro deu-se no dia 4 de Setembro, na Casa Diocesana. Começamos a manhã com um momento de oração, espírito que estará ainda mais presente durante este ano lectivo com o lema por nós escolhido para o Plano de Actividades: “Faz da tua vida um local de beleza: Reza”. Após uma breve troca de impressões sobre o nosso plano de trabalho, D. António Francisco privilegiou-nos com as suas palavras de ânimo, fazendo-nos sentir a sua confiança na realização da nossa missão. Começou a sua exposição por nos fazer um convite que dividiu em dez momentos:

Um convite:

– ao amor pela missão de educar;

– à competência no exercício da missão, salientando a necessidade da formação contínua;

– ao entusiasmo pelo trabalho;

– à capacidade de dar respostas novas aos desafios (novos) da educação;

– à abertura à mudança da escola, com capacidade para compreender a mudança;

– à disponibilidade interior para colaborar com os novos dirigentes e com os novos métodos de trabalho que eles implementem nas escolas;

– à dinâmica de trabalho em grupos de proximidade e com metodologias e projectos que privilegiem a comunidade;

– à abertura, parceria e complementaridade com pessoas e instituições (párocos e paróquias, catequistas, pais, etc.);

– à alegria profissional – o gosto e o gozo espiritual de ser professor de EMRC (os alunos têm de reconhecer no professor de EMRC, uma pessoa feliz, a quem nada nem ninguém pode retirar a felicidade);

– ao testemunho coerente e exigente da fé e do compromisso cristão.

Moldar-se a Cristo

Num segundo ponto, D. António Francisco partilhou com os professores uma reflexão que intitulou: “Abri as portas a Cristo / Faz da tua vida um local de beleza: Reza”.

Começou por nos recordar que no início do pontificado, em 24 de Abril de 2005, Bento XVI retomou as palavras de João Paulo II em 22 de Outubro de 1978, quando disse: “Não tenhais medo! Abri de par em par as portas a Cristo”. Partindo da passagem bíblica, “Já estou à porta e bato. Quem ouvir a minha voz e abrir a porta, entro em sua casa” (Ap 3,20), fez-nos o desafio de abrir o coração a Deus, salientando o perigo de O expulsarmos da nossa vida ao nos deixarmos absorver em demasia por aquilo que pensamos e fazemos. “Mergulhados no tempo e nas coisas, somos cegos à luz de Deus e surdos ao seu chamamento. O que é rico de si mesmo e vive em comunhão consigo e cheio de si fecha-se à plenitude de Deus”. “Só a pobreza da alma despojada atrai a riqueza de Deus”. Com muita convicção, afirmou: “Deus pode esperar muito mais do que temos dado. Cada novo ano é a possibilidade de respondermos a esta esperança de Deus”. E acrescentou, citando D. Anacleto: “É preciso ter olhar de criança para ver a grandeza dos outros”. Referiu ainda as palavras de Bento XVI: “Peço-vos que tenhais um coração que vê”.

Partindo do exemplo de Maria, que se interrogou: “Como pode ser isto?”, o Bispo de Aveiro fez-nos reflectir sobre…

…como a experiência de fome levou o filho pródigo à mudança

…a gratidão do leproso do Evangelho

…a experiência da abundância e da multiplicação dos pães (o trabalho que fazemos na escola é um trabalho multiplicador)

…a importância do alimento diário da Eucaristia, grande mistério da fé.

Ficou patente a importância da entrega a Cristo, pondo-nos ao Seu dispor com um coração diferente, porque moldado e trabalhado pela oração. Devíamos trabalhar como senão trabalhássemos, afirmou. “Sofremos mais com o desgaste do que com o esforço”. Lembrando mais uma vez as palavras de Bento XVI no Centro Cultural de Belém, salientou a importância de emprestarmos poesia, encanto e beleza à vida, de “sermos nós próprios beleza emprestada à vida”.

Como “Deus se interessa mais por nós do que pelos nossos êxitos”, D. António Francisco salientou que devemos ser dóceis ao Espírito, como o balão o é ao vento, deixar-nos levar pela “verdade do tempo que passa”, pois às vezes parecemos demasiado perfeitos para necessitarmos de seguir Cristo. Não podemos perder o sentido de viagem, do peregrino. Temos de ter sempre presente o mistério da semente, “o rebentar do grão”, pedir a Deus “um coração janela” que nos leve a “pintar o mundo com a cor da esperança” e descobrir Deus escondido na solidão, como nos fala o Cardeal Ratzinger, quando se refere à solidão de Jesus, à amizade traída, à incompreensão e angústia. Ter sempre presente Maria, “Mãe da Humildade”.

Os alunos são dom

Num terceiro ponto, partindo do título de um livro de Jorge Biscaia, Isabel Renauld e Michel Renauld, “A que pais têm os filhos direito?”, colocou a questão: “E a que professores têm direito os alunos?” Um aluno é um dom e não um direito. À semelhança da experiência espiritual de Isabel e de Maria, diante do Mistério dos Filhos, como dom de Deus, realiza-se a experiência espiritual dos professores, diante do mistério dos alunos como dom de Deus. A dimensão da espiritualidade na nossa vida e nas dos alunos deve ser valorizada. “Onde está o nosso Magnificat (de Maria), e o nosso êxtase contemplativo (de Isabel)?”

Por fim, falou-nos da terceira etapa do Plano Diocesano de Pastoral, que terá início no dia 10 de Outubro, sob o lema “A Igreja Diocesana Orante é Lugar de Esperança” e do Movimento dos Educadores e Professores Católicos que pretendemos implementar a partir de este ano na nossa diocese.

Antes do almoço celebrou-se a Eucaristia em união com os que não puderam estar presentes e lembrando os familiares próximos de alguns professores que sofrem doenças graves. Os trabalhos continuaram durante a tarde. Respondendo ao apelo da união de esforços e do trabalho em comunidade, reunimo-nos em grupos de escolas de um mesmo arciprestado. Entre partilha de dificuldades e alegrias, construímos projectos e preparámos as actividades a realizar durante o ano lectivo que agora se inicia.

Elisa Urbano