Recriar a esperança

O Papa Bento XVI recorda-nos que só a Esperança das coisas definitivas constitui sólido alicerce para uma vida confiante. A certeza de que a Vida em plenitude não cabe nos limites do espaço e do tempo não é alienação quanto às realidades deste mundo; antes se torna dinamismo de iniciativa e criatividade.

Roubar à pessoa humana esta largueza de horizontes é, sem dúvida, um motivo de inoperância e resignação, que tolhe o empenhamento, infesta a sociedade de um clima de passividade e dependência, amputa os indivíduos e os grupos da ousadia necessária para refazer continuamente a esperança, desenhando novos rumos, reinventando caminhos, multiplicando iniciativas.

Um país à beira do colapso não precisa de “gladiadores”, que se espreitam, que se movem habilmente, estudando a melhor forma de agarrar o adversário. Todos eles movidos por este cerco atrofiador de projectos ambiciosos, mas caducos, porque interesseiros, sem devolver aos cidadãos o dinamismo de um horizonte ilimitado, que estimula sempre a um mais e melhor.

O mundo e o país que somos já atravessaram crises gravíssimas. E conseguiram sair delas. Só que, normalmente, homens e mulheres de espírito elevado e coração aberto ao transcendente abriram caminhos de recuperação catapultados por ideais sublimes…

Que o diga a Europa, ressurgida das ruínas de conflitos fratricidas, pelas mãos de líderes que aspiravam à santidade. E marcaram rumos de esperança, cujos efeitos superiormente positivos todos experimentámos durante um certo tempo.

Até que subiram à ribalta da política os iconoclastas da transcendência, apostados em fazer voltar o homem à idade das cavernas, promovendo um naturalismo decadente, escravo de sensações e emoções, movido por apetites e paixões, eclipsando o mais nobre do humanismo – a inteligência, tornada sabedoria pelo reencontro com a luz tonificante da Verdade absoluta.

“O protesto contra Deus em nome da justiça não basta. Um mundo sem Deus é um mundo sem esperança (cf. Ef.2,12). Só Deus pode criar justiça. E a fé dá-nos a certeza: Ele o faz. (…) Deus é justiça e cria justiça. Tal é a nossa consolação e esperança. Mas, na Sua justiça, Ele é conjuntamente também graça” – Bento XVI, SS 44. Estamos convictos disto, ao menos nós, os crentes? Então, qual a razão por que metemos a luz debaixo do alqueire?

O mundo chama por nós! O país precisa de nós! É esta a hora de Deus!