O País, os sacrificados cidadãos merecem melhor! Estamos cansados de sermos meros espectadores de um drama (só?) nacional, que a todos nos envolve, que a todos nos castiga, não sabemos se a todos nos arrasta para um beco sem saída.
Às vezes, não há melhor forma de reconstruir a casa senão deitando a baixo os destroços que restam e começando tudo de novo: alicerces e travejamento de raiz! No caso: novos princípios político-sociais, novas pessoas, novos sistemas…
É evidente que um país não é uma construção de pedras; é uma cumplicidade de pessoas! As revoluções tratam as pessoas como pedras; as transições procuram tratá-las como seres capazes de mudança, de melhoria, de conversão.
Mas tarda esta mudança. Até porque, princípio básico para mudar é reconhecer que os caminhos trilhados ou que se estão a trilhar não são correctos. E, como dizia há dias um comentador da nossa praça, a grave situação que vivemos resulta, antes de mais, de se não ter querido admitir, há muito tempo, que estávamos a percorrer caminhos errados.
Agora, não é mais possível esconder os crassos erros de estratégias e projectos, de programas e propagandas!… Muito tarde! E perguntamo-nos se os maiores autores dos erros estão decididos a pagar a fatia que lhes cabe na busca de soluções. Melhor, temos a certeza de que não haverá contrição, nem equidade na justiça. Pagarão os de sempre, com privações e sobressaltos.
Estamos em crer que também os mais pequenos, em muitas circunstâncias, terão de mudar de hábitos: desenvolver a cultura do trabalho, espevitar a criatividade e o empreendedorismo, viver a solidariedade, criar ritmos de austeridade e de poupança. E muita coisa se resolverá, longe e à margem das mediáticas negociações, no silêncio das casas simples, nas paisagens bucólicas de campos e florestas, nos recantos dos quintais e hortas, nas “empresas” familiares.
Com uma esperança activa do povo simples, mesmo sabendo que os “anónimos donos da humanidade” tudo farão para aproveitar a fraqueza dos mais pobres, a subsistência pode ser um alicerce firme para desencadear graduais empreendimentos que recomponham a economia nacional.
Os planos deveriam sacrificar em proporção com os rendimentos, portanto, a cortar de forma bem expressiva nos maiores! Não nos deviam pôr à margem, da situação e da busca de soluções! Deveria ser claro para todos qual é o verdadeiro interesse nacional, que não é a salvação do Estado, mas o bem comum. E comum é de todos! As oligarquias não são próprias de uma sociedade que se diz democrática! Os favores para os correligionários são a vergonha de um estado que se diz democrático! O orçamento não é do Estado! O orçamento é o das famílias, dos grupos, da sociedade portuguesa, de que o Estado simplesmente deverá ser o sustentáculo e guardião!
