Consagradas na Diocese de Aveiro – 8 A Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena foi fundada por uma portuguesa, natural de Lisboa, bem corajosa, que empenhou toda a sua vida ao serviço do bem. Filha dos Condes de Rio Maior, nasceu em 4 de Setembro de 1837, recebendo o nome de Teresa Rosa Fernanda de Saldanha Oliveira e Sousa.
Seguindo o exemplo de sua mãe, dedicou-se ao serviço e instrução das crianças e jovens desprotegidas, criando a Obra das Meninas Pobres. Sentiu profundamente a necessidade de “levantar” o seu país a nível material, cultural, e espiritual. Para isso pensou na fundação de uma Congregação que tivesse por patronos Domingos de Gusmão (1170-1221), fundador dos dominicanos – muito da sua devoção e de toda a família Saldanha – e Catarina de Sena (1347-1380), dominicana que se empenhou no regresso do Papa a Roma (deixando Avinhão), doutora da Igreja e co-padoeira da Europa.
As primeiras vocacionadas para a Congregação, dada a situação anticlerical do nosso país, foram fazer o noviciado à Irlanda, donde regressaram já com os votos, em 13 de Novembro de 1868, formando a primeira comunidade religiosa feminina em Lisboa. Estava fundada a Congregação: grande aventura para uma época em que tinham sido expulsos do país tantos religiosos/as. As Irmãs foram aumentando em número e, em atenção a uma das preocupações da Madre fundadora, começaram a ocupar os conventos abandonados em Lisboa e não só, para não serem profanados.
A Congregação espalhou-se em Portugal e também se expandiu no Brasil, em África, em Timor e na Albânia, onde as Irmãs servem os mais carenciados e trabalham em locais de fronteira, tendo em mente a prece de Santa Catarina de Sena: «Senhor, dilatai o meu coração à medida do universo».
Relativamente a Aveiro, ela bem sabia da situação do extinto Convento de Jesus. Neste local, em 18 de Maio de 1874, foi iniciado o Colégio de Santa Joana, confiado a D. Leonor Angélica Cardoso de Lemos – também chamada “a escola das pupilas”. A pedido do Bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, Teresa de Saldanha enviou Irmãs em 10 de Novembro de 1884 para este Colégio, após conversações com D. Leonor Angélica. Completam-se hoje 126 anos. Desde esta data as Irmãs assumiram a orientação do Colégio de Santa Joana, tendo como Prioresa a Madre Maria Inês Champalimaud Duff, que dirigiu proficientemente o dito estabelecimento de ensino até à data da sua morte (Dezembro de 1909), vocacionado para a formação e educação de meninas internas e externas.
O povo de Aveiro a princípio reagiu mal, mas o empenho das Irmãs e sobretudo a bondade da Madre Inês Duff depressa cativaram as gentes do Vouga. Quando a Madre partiu, em odor de santidade, diziam: «Morreu a mãe dos pobres». Está sepultada no Cemitério Central.
Este Colégio acabou por ser forçadamente extinto pelas leis da República, em 8 de Outubro de 1910. No dizer de Marques Gomes, «o Colégio, sendo um dos primeiros do país, é o assombro de todos os que de longe e de perto o visitam». As Dominicanas acabaram por deixar o edifício a 18 de Outubro de 1910. Posteriormente foi transformado em Museu, até aos nossos dias.
Com a República, tudo se complicou, mas, assim diz a Escritura Sagrada: «O zelo da Tua Casa me devorou». E foi o zelo do ilustre aveirense D. João de Lima Vidal, então Bispo de Aveiro, que em 1953 chamou de novo a nossa Congregação para esta cidade, agora para orientar um Lar Feminino, que, pelo seu carácter social, acolhia toda a espécie de raparigas estudantes e empregadas. A primeira Prioresa foi a Madre Maria de S. João Evangelista de Lima Vidal, irmã de sangue do referido Bispo. Ambos conheceram, privaram e admiraram a Madre Fundadora, embora esta já tivesse falecido em 8 de Janeiro de 1916. As Irmãs também colaboravam em actividades apostólicas: pastoral juvenil vocacional, catequética, visita a idosos e doentes, etc. Nos anos 80, a pedido de D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro, uma Irmã da Comunidade dedicou-se a tempo inteiro à orientação dos estudos, por meio da Tele-escola, no Seminário Diocesano de Calvão. Outras também deram aulas de Moral, Português e Francês, na Escola Secundária de José Estêvão.
Já em 1993, a nossa actividade canalizou-se sobretudo para o acompanhamento e formação de meninas universitárias num lar académico. Entretanto, como os tempos, as mentalidades e as necessidades vão mudando, em 2004 terminou a valência académica para recebermos e cuidarmos das nossas Irmãs mais doentes ou idosas, sobretudo da Província portuguesa; e ainda, para colaborarmos na nossa paróquia em alguns trabalhos apostólicos tais como: ministros extraordinários da Comunhão e visitas a doentes no domicílio; apoio religioso e humano do Centro de Dia das Florinhas do Vouga; arranjo da capela e alfaias litúrgicas do Hospital do Infante D. Pedro; animação do terço diário e da Eucaristia semanal na nova igreja do Bairro de Santiago; recepção de grupos de reflexão da Diocese e de vários pontos do país. Fazemos o possível por pôr em prática um dos lemas mais queridos da nossa Fundadora: «Fazer o bem, sempre».
Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena
