Igreja diocesana orante

Poço de Jacob – 54 A oração é a alma de todo o apostolado. Não pode ser testemunha do Mestre aquele que não convive com Ele. Ninguém dá o que não tem. E a Igreja, apesar de seu empenho e compromisso social, existe para conduzir os homens ao céu, apresentando-lhes a proposta de Deus como algo atraente, pois as pessoas sentem-se atraídas quando o bem lhes é apresentado. Mas Deus não se aprende em cursos ou seminários. Ele não é matéria, apenas, de teologia. Posso ser teólogo e ser ateu, ou não praticante, ou não ter uma vida de acordo com o Evangelho. Posso criar a minha imagem de Deus e fundar uma seita, onde Deus existe à minha imagem e semelhança. O interessante é que há sempre seguidores para todas as correntes. Há muitos homens e mulheres a quem nunca Deus foi proposto correctamente e que não se deixaram invadir por Ele mas antes pela ideia de Deus que satisfaz apetites.

Só a oração, que implica uma certa formação do cristão, pode orientar vidas. Rezar para satisfazer Deus não é caminho cristão de oração. Rezamos para Deus nos mudar, pela proposta de salvação que Ele nos apresenta em seu Filho. Por isso, há muitos equívocos na vida de oração. Não podemos fugir do subjectivismo, nas nossas vidas, mas orar é algo que nos coloca diante da objectividade de Deus e do homem. A isto se chama verdade. Rezar, orar, leva-me à verdade de Deus e que é Deus e à verdade do homem, chamado irresistivelmente para Ele. Já dizia santo Agostinho: “Tu nos criastes para Ti e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansa em Ti”.

Propor à igreja a oração que anima a esperança e a caridade, a formação cristã e a vida santa não constituem novidades para este ano, apenas, mas são chamadas de atenção para o dia-a-dia da igreja que somos nós. Alimentamo-nos do Mestre, em palavras e Pão, na intimidade do doce amigo-amado que sabemos que nos ama. É a aventura de intimidade com Ele que nos ajuda a ver e amar o mundo ao jeito dele. Só quando nos deixamos embeber pelos seus sentimentos é que alcançamos a atmosfera de Deus, onde, como diz S. Paulo, nos movemos e existimos.

Orar é saber que somos terra sagrada, onde o Espírito de Deus se dirige ao Pai, por Jesus.

Orar é deixarmo-nos sossegados no regaço de Maria, para ouvir dela notícias de Jesus, e aprender com Ela a amar Deus e os homens como Jesus quer.

Orar é tomar consciência de família de Deus, onde ninguém me pode ser indiferente, nas suas necessidades, e onde eu encontro os meios e a força para ajudar.

Orar é vocação do cristão. É condição elevada e universal do ser humano. É saborear, antecipadamente o paraíso. Não é só dizer a Ele o que se sente e deseja. É sobretudo deixar que seja Ele a falar-nos… a mover-nos… a predispor-nos para a sua vontade.

Santa Teresinha dizia que as decisões mais importantes lhe vieram, por inspiração, não quando orava, mas depois de o fazer, quando caminhava por um corredor do convento ou lavava a louça. Orar é, pois, criar espaço para Deus se mover em mim e nas minhas circunstâncias. E só assim esperamos chegar aos seis “S” de Chiara Luce: S.S.S.S.S.S. – Serei Santa Se Sou Santa “Subito”, ou seja, já. Porque Deus é o eterno agora que se apaixonou por nós e nos quer mostrar isso, já, “súbito”, na nossa vida.

P.e Vitor Espadilha