O vestido azul

Colaboração dos Leitores Nos últimos tempos, são de um modo geral desanimadoras as notícias que ouvimos e o tema comum das conversas, é a crise, o desemprego, a incerteza do futuro. Não quero nem posso escamotear tudo isto mas lembro-me de ter lido há cerca de um ano que “Portugal era um país de medos”. Sinto exactamente isto pois temos medo do dia de hoje, até do dia de ontem e do dia de amanhã!

Franklin Roosevelt, apesar das suas condições físicas, foi o único presidente dos Estados Unidos que ganhou quatro mandatos; iniciou-os em 1932 aos 50 anos, com deficiências de locomoção deixadas pela poliomielite e morreu durante o último em 1945. Levou o país a superar da grande depressão dos anos trinta e dizia que o maior receio era recear o receio.

Por tudo isto venho-me perguntando a mim própria o que poderei fazer, o que poderemos nós fazer… Pedir ajuda a Deus, isso fazemos com certeza, mas teremos suficiente fé para acreditar que tudo o que Ele permite é para nosso bem?

Não foi Ele que enviou o Seu Filho, que nos redimiu com a própria vida?

Mas é só isso, rezar, falar com Ele e esperar confiadamente? Não é só isso, não devo ser eu a falar apenas, Deus também fala, só que eu, talvez nós andamos demasiado apressados e angustiados para O ouvir. E como diz a Sagrada Escritura Ele não nos fala com estrondo, fogo ou tempestade, no ruído ou no vendaval, fala sim, mas na brisa suave.

Talvez, como resposta às minhas inquietações li no outro dia uma história que passo a contar: um professor resolveu retirar algum dinheiro, do seu magro salário, para comprar um vestidinho azul para uma criança, sua aluna, que andava sempre andrajosa e suja. A mãe da criança, ao ver a filha com aquele lindo vestido, encheu-se de brio e resolveu cuidá-la mais, passando a menina a andar sempre limpa e arranjadinha. Estes cuidados estenderam-se também ao arranjo da casa e de toda a família, a tal ponto, que o pai envergonhado pela sua fraca contribuição também passou a colaborar. Transformou o quintal num lindo jardim cheio de flores e pintou a casinha pobre, que ficou tão bonita que ninguém a reconheceria.

Os vizinhos ao verem as transformações seguiram-lhe o exemplo e as autoridades locais não tiveram outro remédio senão arranjar as ruas. Como é que era possível um bairro tão bonito ser servido por infra-estruturas tão vergonhosas!

E tudo foi provocado por um lindo vestido azul…

Maria Teresa Conceição