O Espírito Santo

Poço de Jacob – 56 Terceira pessoa da Santíssima Trindade, não somos educados a conviver com Ele. Talvez porque muitos pensem que é uma pomba ou uma energia em forma de fogo… Também porque a exigência do Crisma para ser padrinho de Baptismo destruiu o verdadeiro sentido do sacramento da Confirmação. A Igreja crisma para poderem ser padrinhos pessoas que nem acreditam em Deus e nem sequer vivem sua fé, caso a tenham. Multiplicam-se as mentiras para se conseguir ser padrinho. Discussões em cartórios. Gente ferida. Sacramento tão belo que perde todo o seu vigor, para uma conveniência ser satisfeita. Que ser padrinho implica ser adulto na fé é lógico. Mas que os que se crismam queiram ser esses adultos é evidente que a maioria não quer.

O Espírito Santo está longe da consideração dos que se dizem católicos. Só o Verbo, a Segunda Pessoa, se fez Homem e a nossa orientação vai, logicamente, para Jesus, nosso Salvador. Mas O Espírito Santo vivificante e santificante é a seiva divina da Igreja e temos de O redescobrir na nossa vida de cristãos. Temos de aprender o segredo da sua convivência. Não é pomba, embora seja representado como tal nos retábulos, santuários, pinturas. Não é chama de fogo. Tudo são símbolos, como Jesus também não é um cordeiro nem o Pai é um velhinho de barbas brancas.

O Espírito é pessoa divina, nosso Criador, nosso Salvador, embora a obra do sacrifício seja do Filho, mas as acções exteriores à Santíssima Trindade pertencem às Três Pessoas, e o que atribuímos a uma são bens das outras também, salvaguardando a encarnação do Filho e a sua Humanidade.

O Espírito habita em nós. Faz de nós sua morada. Reza em nós com gemidos inefáveis, diz S. Paulo. Move-nos para Deus. Nele se alegrava e movia Jesus. Ele nos revela a verdade de Jesus e do Pai, e procede do Pai e do Filho, é o Amor recíproco entre o Pai e o Filho. Ele é o Amor. Como o Pai e o Filho. É um Deus com o Pai e o Filho. No entanto, é Pessoa distinta do Pai e do Filho. Mistério incrível e incompreensível que gerou cada um de nós à sua imagem e semelhança. Para Ele nos encaminhamos. Por Ele e com Ele caminhamos. Ele nos move. Ele faz a redenção acontecer em nós. Grande segredo da comunicação do Pai. Move-nos mas não se nos impõe, por sermos livres – outro grande mistério que tem enchido as bibliotecas teológicas de todos os tempos. Por isso, o pecado contra o Espírito Santo não terá perdão, não porque Deus não o queira dar, mas porque não o pode fazer se eu não quiser. O pecado contra o Espírito Santo consiste em não permitir a sua acção em nós. O nosso interior embota-se com a prática do mal, o orgulho. Não queremos mudar. Instalamo-nos, até porque nos sentimos perfeitos. Não há espaço para reconhecermo-nos pecadores e necessitados de misericórdia. Por isso, não somos perdoados por não querermos ser perdoados.

Quando me ordenei, o meu Bispo pediu-me que rezasse diariamente esta oração que é um programa de vida em Deus. Tenho cumprido. Foi composta pelo Papa Paulo VI. Partilho-a para que o Espírito a todos nos conduza:

“Espírito Santo, dai-me um coração grande aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da Santa Igreja. Um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao Coração do Senhor Jesus. Um Coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos. Um coração grande e forte, capaz de superar todas as provações, todo o tédio e todo o cansaço, toda a desilusão e toda a ofensa. Um coração grande e forte, constante até ao sacrifício, quando for necessário. Um coração cuja felicidade é palpitar com o coração de Cristo e cumprir, humilde, fiel e virilmente, a vontade do Pai. Amen.

P.e Vitor Espadilha