O encontro do passado domingo, que reuniu mais de duas mil e quinhentas pessoas no Colégio Diocesano de Nossa Senhora da Apresentação de Calvão, numa tarde de invernia extrema, completamente desmotivadora, transformou-se numa calorosa afirmação de vitalidade de Famílias que querem ser ouvidas, que querem ter voz activa na escolha do Projecto Educativo para os seus filhos.
Vieram representações do interior e do litoral, do norte e do sul, de escolas católicas e de escolas independentes. Vieram pais e associações de pais, professores e funcionários, cidadãos comuns, amigos da democracia e defensores da liberdade… gritar que o poder é serviço e não ditadura, que o governo é regulador e garante do bem comum e não o seu dono, que o que queremos é poder ter propostas educativas com valores!
É perverso intoxicar a opinião pública com informações deturpadas, com números falsos! Que o Estado diga o que gasta com a sumptuosidade das requalificações, ampliações ou novas construções, que dê números claros, de orçamentos e derrapagens. Que fale dos encargos sociais que recebe de volta das escolas particulares ou associativas e não esconda esses ganhos – que a escola estatal lhe não dá! – para não desvirtuar os custos de um ensino e de outro!
Ponha-se a público quem programa, e com que intenções, uma invasão de todo o espaço escolar, quando a Constituição responsabiliza o Estado por ser o garante da educação para todos, mas só com a obrigação de tomar a iniciativa onde ela não existir.
Os Colégios do ensino particular e cooperativo não nasceram para colmatar as falhas do sistema estatal. A maior parte já existia, quando se generalizou o acesso ao ensino; foram, em muitos casos, o primeiro suporte para as populações locais acederem à escolaridade. Por que razão foi ou vai o Estado oferecer um serviço onde ele já existe, senão para matar a iniciativa dos cidadãos? A rede escolar é a integração de todas as comunidades educativas existentes, em sinergias e complementaridades, que prestam o mesmo serviço público, ou um plano sinistro de interesses ideológicos, financeiros, anónimos, que esmagam quem lhes apareça pela frente?
Os governos caem! A raiz ao pensamento não há machado que a corte! A sede de liberdade não há engodo que a abafe! Tenham senso, senhores governantes! Não será apenas a história que vos julgará; será a consciência do povo que se não dobrará à vossa arrogância e despotismo!
