É isso mesmo! No debate quinzenal no Parlamento, para o qual elegeu a Educação como tema de fundo, o nosso primeiro-ministro disse uma verdade: “Esta é uma questão ideológica”!
Mentiras (parece que no novo acordo ortográfico se dirá inverdades!…) foram aos montes. Desde os custos – do ensino estatal e do privado e cooperativo -, passando pela missão constitucional do estado – que não é totalitária mas de suporte à diversidade de escolhas -, até ao desaforo de considerar esbanjamento pagar com os nossos impostos uma escola que já existia e junto da qual o Estado ergueu outra para dispensar a primeira… Pena foi que ninguém lhe perguntasse se esbanjamento não fora exactamente isso: um espírito faraónico a avassalar os símbolos de um árduo e profícuo trabalho educativo de longos anos com uma nova construção desnecessária.
Babou-se com os resultados do PISA, sem saber bem que alunos tinham sido avaliados e, portanto, quais os eventuais factores dos bons resultados. Nem teve coragem de esclarecer por inteiro quem fez subir o país na escala ou até onde subiria se fosse só o ensino particular e cooperativo a ser avaliado.
A verdade que proclamou, colocando-a na intenção dos que reclamam liberdade de aprender e ensinar, liberdade de escolha, está bem clara é do lado do governo. Aliás, toda a gente sabe que os ideólog(ic)os do seu espectro político bendisseram a crise, porque deu oportunidade a esta tentativa de golpe.
Tem sido dito, redito, escrito e tornado a escrever que, na verdade, as restrições financeiras, das quais nos dispomos a participar plenamente, não foram senão o pretexto desta loucura, para liquidar completamente a escola particular e cooperativa.
Também a estatal irá sofrer, porque se desenha uma “optimização de recursos” que significa apenas diminuição de custos, corte de pessoal na educação. Mas quem vai sofrer a sério é o país. Para onde vai a liberdade de escolha, o direito à diferença, a possibilidade de procurar a excelência? Para onde vai a concorrência estimulante, já que “a unicidade premeia a mediocridade”? Como é que se defende o interesse público matando a iniciativa dos cidadãos, e iniciativa de qualidade? Se, nas escolas com contrato de associação e por outras formas de cooperação do estado, os ricos, os remediados, os pobres, todos têm acesso, em igualdade de circunstâncias, ao ensino de qualidade, não se está, com estes preconceitos ideológicos, a promover a exclusão social?
Assegurar o ensino básico universal obrigatório e gratuito, por parte do Estado, não é fazê-lo só com escolas estatais! Afinal, é verdade: o senhor primeiro-ministro quer declarar guerra ideológica à sociedade plural, quer impor uma orientação totalitária à educação, quer aniquilar a criatividade das forças cívicas…, quer fazer de todos os promotores de escola não-estatal empresários gananciosos ou incapacitados de inovação.
