D. Carlos Azevedo pede “ética rigorosa” no controlo do Estado

Cerimónia simbólica de entrega da «Luz da Paz» em campanha de Natal da Cáritas marcada pelas sombras da crise.

D. Carlos Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, convidou os católicos a “pôr toda a criatividade e energia” no combate ao “flagelo do desemprego” e apelou a “uma ética rigorosa no controlo do Estado”.

O bispo auxiliar de Lisboa falava na homilia da cerimónia de distribuição da “Luz da Paz” pelas Cáritas Diocesanas, na igreja da Santíssima Trindade, de Fátima, que decorreu neste Domingo, 12 de Dezembro. “O que nos permitirá não ser cana agitada por qualquer vento de crise será uma educação consistente, uma justiça eficaz e pronta, uma ética rigorosa no controlo do Estado”, disse.

Este responsável desafiou a “repartir o trabalho, regressar à agricultura, optar pela austeridade no estilo de vida”. Aos presentes, D. Carlos Azevedo pediu que acolham o apelo da Cáritas Portuguesa, na sua campanha “10 milhões de Estrelas”, e acendam “uma vela, na noite de Natal”.

Pelo oitavo ano consecutivo, a Cáritas promove a iniciativa “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz”, campanha de Natal da organização católica cujos fundos revertem, desta feita, em favor da população infantil.

O projecto consiste numa iniciativa de angariação de fundos a nível nacional, através da venda de velas pelo preço simbólico de um Euro, cujo resultado final reverte a favor dos mais necessitados.

Das verbas recolhidas com a venda das velas, 35% serão especialmente canalizadas para um projecto de apoio à pobreza infantil, em São Tomé e Príncipe; os restantes 65% serão aplicados, por cada uma das vinte Cáritas Diocesanas, em projectos nacionais.

Um centro de acolhimento infantil em Aveiro, o reforço do apoio social em Braga e em Portalegre ou um projecto de voluntariado em Coimbra são alguns dos destinos já escolhidos, a nível português.

Na celebração de entrega da “Luz da Paz”, D. Carlos Azevedo defendeu “uma política que não profane a dignidade de nenhum cidadão, que não crie desolação em quem constrói na proximidade dos pobres vias de promoção humana: no ensino, na saúde, no apoio às crianças e aos mais idosos”. Para o bispo auxiliar de Lisboa, “o que endireitará o caminho do futuro será o afastamento firme de mentiras tortuosas da contabilidade, de contracurvas financeiras, de paraísos que são inferno para a economia real, de descrédito da poupança, da perda dramática da confiança, de atentados à criação.

Numa das intenções de oração, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, pediu que o gesto de acender as velas na noite de Natal “ilumine o coração de muitos para acolherem Jesus Cristo, Filho de Deus, e construírem, à luz do Evangelho, a justiça e a paz”.

A Manifestação Pública da operação “10 Milhões de Estrelas-Um Gesto Pela Paz” tem lugar a 18 de Dezembro, em cada diocese.

Ag. Ecclesia