Uma pedrada por semana Alice Vieira, escritora de mérito reconhecido em literatura infantil, deu-nos o seu testemunho num escrito corajoso que ela titulou “A geração do ecrã”. Dura e clara a dizer as suas convicções, quando faz da vida concreta um leitura pessoal sobre problemas que não podem passar ao lado de ninguém, vivo e empenhado em que pessoas e coisas andem o bom caminho. Desta vez, focou a realidade da família, da escola e da educação e as manifestações desta situação, na gente nova e menos nova.
Aqui deixo algumas das suas considerações: “Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano. E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam. Durante anos foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido. Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis e que nada, absolutamente nada, dava trabalho. E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse… A escola, hoje, serve para tudo menos para educar. A casa, hoje, serve para tudo, menos para dar (as mínimas) noções de comportamento. E elas vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã. E nós deixamos.”
Não é assim cem por cento. Mas quem remar em sentido contrário ao que corre por aí, encontra mais escolhos que aliados. Preste-se atenção e poderá ver-se que vai por aqui, cada vez mais, o rumo da educação familiar e escolar, com vento favorável do ambiente envolvente.
Não é um fatalismo. É uma inércia responsável, um cruzar de braços, carregado de consequências. É a orientação trágica de gente de vistas curtas que destrói a família, desvirtua a escola e perdeu o controle do ambiente social, sempre mais influente.
É sempre tempo de se dizer, reconhecendo responsabilidades e culpas, que, por aqui, “não”.
