Uma pedrada por semana Os partidos políticos atiram os jovens para a frente, quando pensam que é necessário falar do presente sem passado e do futuro sem projecto. A ânsia de subir leva-os, então, à eloquência ousada, ao desafio sem controle, a uma linguagem imprópria do lugar, a fazer do tom de voz, a força da razão.
Tudo isto se pôde ver, ao vivo, no debate da Assembleia da República, quando o argumento foi o casamento gay.
Sei e propugno que se devem empenhar, cada vez mais, os jovens na causa pública. Parece-me, porém, que se eles quiserem ser, desde logo, profissionais da política, ou para isso os orientarem os seus chefes partidários, terão de ter escola longa de bastidores, antes de serem actores de palco. Para quem chega imaturo, o parlamento é mais deformante do que formativo.
A acção política, em geral, não pode ser, pelo menos desde o início, um meio de vida ou um emprego de futuro garantido. Caso contrário, teremos sentados, nos cadeirais da Assembleia e dos Municípios, gente sem pedestal para a estátua que julga ser.
Tratando-se de fazer leis, ou há cabeça, cultura e independência, ou dois terços do Parlamento serão paus mandados e cordeiros submissos. De contrário não voltam mais, porque os interesses partidários não se compadecem com gente que quer ter voz própria e direito a pensar pela sua cabeça. A carta de alforria só se ganha mais tarde e, normalmente, com bons padrinhos…
