Eugénio Beirão lança “Ecos & Miragens”

João Gamboa / Eugénio Beirão lança no dia 17 de Outubro, na Biblioteca Municipal de Aveiro, às 17 horas, o livro “Ecos & Miragens. Crónicas”. A apresentação está a cargo do jornalista e escritor Armor Pires Mota.

“Ecos & Miragens. Crónicas” reúne quase meia centena de textos publicados na imprensa regional, maioritariamente n’“O Aveiro”, mas também no Correio do Vouga. “Eugénio Beirão” é pseudónimo do professor João Gamboa, como explica na contracapa: “Eugénio” para homenagear a sua mãe, Eugénia, e “Beirão” para lembrar a Beira Interior que o viu nascer. O autor esclarece o sentido do título da obra. Os textos “são rumores ou ecos da realidade quotidiana” que foram tratados, reflectivos e enviados para o leitor, “à semelhança da luz reflectida”. Mas são também “miragens” que insinuam um impulso, um desejo, “o de suplantar a realidade que se vê e da qual se parte para atingir uma outra que é sonhada e se busca, mais bela e mais justa, porventura utópica”.

Passados 5, 10, 15 ou mais anos sobre a publicação destes textos (o primeiro é de 1991, o último, de 2006) nenhum destes textos perdeu o sabor original. Recomendam-se. Um excerto do primeiro deles (no Correio do Vouga de 7 de Junho de 1991):

Conta o Padre Manuel Bernardes, na sua deliciosa prosa dos “ditos sentenciosos” da “Nova Floresta”, que «ao Rei D. João II de Portugal chegou um pretendente, pedindo certo ofício.

– Já está dado – disse o rei.

E o pretendente lhe rendeu as graças, beijou a mão e despediu-se.

Suspeitou o rei que não percebera a repulsa, e disse:

– Vinda cá: De que me destes as graças?

– Pela mercê – respondeu – que Vossa Alteza me acaba de fazer.

Tornou o rei:

– Que mercê vos fiz eu?

– Senhor – disse ultimamente o homem –, a de desenganar-me sem me remeter a ministros, porque nisso me poupou muitos passos, e enfado, e dinheiro, que havia de desembolsar sem proveito».

Era assim, pelos vistos, há 500 anos: quando um antepassado nosso, vassalo de Sua Alteza, obtinha imediato despacho do seu pedido, mesmo pela negativa, desfazia-se em gratidão. É que não estava habituado a tanta celeridade. E hoje, às portas do terceiro milénio, como é? Só quem passa por elas é que sabe…