A figura pode não agradar a todos; há posições assumidas com as quais também eu não concordo. É questionável se o Nobel da Paz atribuído deve ser mesmo prémio ou pode ser também um estímulo. O tempo é demasiado curto para se apreciar obra feita.
Inquestionável, todavia, é que um estilo novo de fazer política emergiu, uma luz de esperança se reacendeu, não apenas na nação americana, mas um pouco à escala planetária. E, sem dúvida, é prematuro clamar já “Desilusão! Desilusão!”, como o fazem sempre os profetas da desgraça.
O seu livro “A Audácia da Esperança” é um best-seller. Vai já na quinta edição. Constitui um apelo a uma forma nova de fazer política, “uma política para aqueles que estão cansados da partidarização amarga que se pode ver nas campanhas eleitorais; uma política enraizada na fé, na inclusão e na nobreza de espírito”… É por essa razão que tal escrito tem um notável “potencial transformador”, reparando um grave erro – a perigosa perda de contacto de uma governação com os cidadãos comuns.
Se o orgulho e a arrogância nos não encherem de preconceitos, talvez possamos aprender todos esta lição de proximidade, de inclusão e participação, despidos de fanatismos partidários, de fundamentalistas teimosias em colorir o país de cores (pre) dominantes, para nos mobilizarmos em busca do bem comum, integrando todas as energias que geram sinergias.
Enquanto se jogar com estratégias de “encurralar” o adversário, em vez de se concertarem caminhos de viabilização do futuro; enquanto se proclamar que já ganhou este ou aquele, porque deixou a oposição sem argumentos, a luta é pelo poder para dominar, que não serve de forma alguma a esperança de quantos teimam em acreditar que o futuro é sempre possível.
Também entre nós ainda é viável dar suporte a esse “optimismo indestrutível”, característico mas não exclusivo da nação americana, que o então senador Obama denomina “a audácia da esperança”.
