A inclusão ou a exclusão que os surdos sentem nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho ou na sociedade foi um dos temas em debate no IV Congresso dos Surdos de Portugal, que teve como tema geral “Pensar o Presente, Perspectivar o Futuro”. O congresso decorreu nos dias 3 e 4 de Outubro, no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro.
Os delegados das associações de surdos filiadas na Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS) e outros participantes discutiram também sobre a Língua Gestual Portuguesa como base da identidade dos surdos e a forte ameaça a que está a ser sujeita por não ser devidamente utilizada e por não ser ainda uma segunda língua para os portugueses, privando, desta forma, a comunidade surda de ter acesso em condições de igualdade aos serviços de saúde, da justiça, da segurança social. O acesso à informação, embora garantido na lei, não é ainda universal. À maioria dos programas televisivos, a título de exemplo, os surdos estão impedidos de lhes aceder.
Realçou-se como factor positivo, por um lado, que as novas tecnologias facilitam a condição dos surdos, mas notou-se, como aspecto negativo, que os mais novos são pouco dedicados à vida associativa.
Arlindo Oliveira, presidente da FPAS, encerrou o congresso convocando uma comissão alargada de surdos e da sociedade civil. Esta comissão deverá analisar as conclusões e aprofundá-las, para sejam dados passos concretos na melhoria da condição da pessoa surda.
A. Gomes / C.V.
