Uma pedrada por semana Os jornais vão noticiando a diminuição dos casamentos católicos e já, também, dos baptizados. Há gente que lê e fica em pânico, perguntando “onde é que isto vai parar?” Outros sentirão contentamento. Assim se vão confirmando as suas profecias, as mesmas do início do século passado, que anunciavam o fim da Igreja em poucas gerações.
A Igreja não é uma associação à maneira civil, que pode vir a fechar portas por se acabarem os sócios. Nem pode cair em pânico, enveredando pelo caminho da mera simpatia e das facilidades agradáveis, prendendo assim os que se sentem menos afeiçoados pelas suas exigências. Não falta quem pense que este também é caminho.
A situação de descrença, que se manifesta de modo acelerado, exige uma leitura mais séria e objectiva, ligada à debilidade de uma fé esclarecida, coerente e comprometida e dos caminhos que aí levam. Muitos dos que dizemos que saem nunca chegaram a entrar. O Baptismo é porta de entrada que responsabiliza sempre os que estão dentro. Não é de esperar dos que apenas assomam à porta ou que foram levados ao colo e nunca aprenderam a andar aí por seu pé que gostem de se sentir uma família de muitos irmãos.
A sociedade laica, em tal contexto, encontra espaço para destruir convicções débeis, mormente se as comunidades cristãs deixam o terreno desatendido e inculto.
Bento XVI disse aos bispos, em Novembro de 2007: “A evangelização da pessoa e das comunidades humanas depende, absolutamente, da existência ou não do encontro com Jesus Cristo Sabemos que este encontro se pode revestir de uma diversidade de formas, mas a iniciação cristã da pessoa passa, normalmente, pela Igreja…À vista da maré crescente de cristãos não praticantes nas vossas dioceses, talvez valha a pena verificardes a eficácia dos percursos actuais, para que o cristão seja ajudado, pela acção educativa das nossas comunidades, a amadurecer cada vez mais até chegar a assumir na sua vida, uma orientação autenticamente eucarística, de tal modo que seja capaz de dar razão da sua esperança da maneira adequada ao nosso tempo”.
Está dado o alerta e apontado o caminho. O que resta agora perante a situação?
