Vaticano abre portas a anglicanos descontentes

Bento XVI vai publicar uma constituição apostólica para responder aos “numerosos pedidos” de grupos de clérigos e fiéis anglicanos que desejam “entrar em comunhão plena e visível” com Roma

A Igreja Católica vai acolher anglicanos descontes com os rumos que a Igreja Anglicana tem trilhado nos últimos anos, nomeadamente ao admitir mulheres no presbiterado e episcopado, ao ordenar homossexuais e abençoar casais do mesmo sexo.

Segundo numa nota informativa da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), Bento XVI vai publicar um documento que cria “ordinariatos pessoais” que permitem o “regresso” de fiéis anglicanos à Igreja Católica.

Os ordinariatos, instituídos segundo as circunstâncias, serão de algum modo semelhantes aos dos ordinariatos militares – uma “diocese” que não corresponde a limites territoriais, como é habitual na Igreja Católica, mas tem jurisdição sobre uma comunidade específica distribuída por vários territórios.

Numa declaração conjunta assinada pelo Arcebispo de Westminster (católico) e pelo Arcebispo da Cantuária (Primaz da Igreja Anglicana), refere-se que o anúncio do documento papal “termina um tempo de incerteza para os grupos que nutriam esperanças em novas formas de abraçar a unidade com a Igreja Católica”.

A declaração assegura que ambas as partes estão empenhadas em prosseguir um “compromisso comum” e a reforçar a consulta sobre “estas e outras matérias”.

“Esta cooperação irá continuar ao mesmo tempo que crescemos juntos na unidade e na missão, testemunhando o Evangelho no nosso país”, referem católicos e anglicanos da Inglaterra.

Este modelo prevê a ordenação de clérigos casados enquanto anglicanos como sa-cerdotes católicos. Por “razões históricas e ecuménicas”, estes padres casados não poderão ser ordenados bispos.

Segundo dados da Igreja Católica, entre 20 a 30 bispos anglicanos e centenas de grupos de fiéis estariam interessados em fazer parte da Igreja Católica.

Separados desde o séc. XVI

Desde o século XVI, quando o Rei Henrique VIII declarou a independência em relação à autoridade do Papa, a Igreja da Inglaterra criou confissões doutrinais, usos litúrgicos e práticas pastorais próprias.

Desde o Concílio Vaticano II, o diálogo entre anglicanos e católicos decorre clima de compreensão e cooperação mútua, mas o caminho ecuménico encontrou novas dificuldades quando algumas igrejas anglicanas começaram a admitir mulheres ao sacerdócio e ao episcopado e, mais tarde, com a “questão homossexual”.

CV/Ecclesia