Livro Dá-Me dessa água
Métodos para ler a BíblIA
Herculano Alves
Gráfica de Coimbra 2 / Difusora Bíblica
A interpretação da Bíblia nunca foi um assunto consensual. Os cristãos não duvidam de que é um livro inspirado. É “Palavra de Deus” e esta é a grande óptica de leitura, em qualquer época da história. Mas mesmo entre os que dizem que é Palavra de Deus, a interpretação da Bíblia deu azo às maiores divisões.
Interpretações comunitárias e individuais, literais e simbólicas, históricas e míticas tanto mostraram o baú sem fundo que é o texto bíblico, de onde se retiram tesouros, como provocaram as guerras e divisões que o movimento ecuménico ainda não conseguiu reparar.
Claro que a Bíblia também pode ser lida sem os óculos da fé, como literatura humana que também é. Pode ser lida e estudada como simples busca humana do divino, como literatura oriental, como depósito de tradições orais… É possível um sem número de olhares profanos sobre a Bíblia. Mais do que legítimos. A editora Caminho publicou em tempos um livro que se intitulava “Uma leitura laica da Bíblia” que em nada se confundia com as frivolidades saramaguianas. Uma leitura séria ainda que ateia.
Este “Dá-me dessa água” quer ensinar a ler a Bíblia. Apresenta métodos usados ao longo da história (aí se pode ver como a recusa da interpretação literal para certos textos sempre fez parte do património cristão), aborda os métodos científicos (cap. V) e métodos pastorais (cap. VI) e aponta também alguns “pecados” da leitura da Bíblia: as leituras fundamentalista, apologética, intimista, esotérica, reducionista, materialista e espiritualista.
Refira-se ainda que é dado especial destaque à leitura grupal da Bíblia. Compreende-se. A leitura individual não é de modo algum desaconselhada, mas se tivermos em conta que a Bíblia nasceu na comunidade e para a comunidade, compreendemos que a leitura em grupo, com a partilha de ideias e a oração comunitária, é a que melhor corresponde ao Livro dos Livros.
Um livro que fazia falta.
J.P.F.
