Encontrado o fio à meada, o desbobinar não acaba mais

Uma pedrada por semana Toda a gente sabe de casos e quer contar. Alguns mal escondem que, também esse é o seu caso. Solidão, abandono de familiares, reforma exígua que mal chega para os remédios, dias a fio sem ouvir o seu nome, visitas que falam e não deixam falar, relatos de vida, cortados a meio pelo fatídico “já me contou isso muitas vezes”, apreço pelo mimo reconfortante de uma telefonadela inesperada…Tudo isto são pedaços da história de idosos que vivem sós, mesmo quando rodeados de muita gente que, não o sendo, se comporta como estranha.

Nem faltam casos de pobreza envergonhada, gente que ainda veste, à falta de outro, o velho casaco de peles, mas a quem se escoaram os rendimentos, por rendas antigas, que tarde e devagar se começaram a actualizar…

Os responsáveis, dos governantes aos chefes das comunidades, tanto religiosas como civis, pensam mais nos idosos em instituições, dos que nos que vivem sós. Quando se trata de passeios, longe ou perto de eleições, arrebanham-se todos, porque o número também conta, e as notícias não brilham se não falam de muita gente.

Diz-se, e temos de continuar a dizer, que os velhos não são trapos, embora alguns, por vezes, não são mais que isso mesmo. Podemos moldar as palavras, sem que apaguem as mossas da vida…

Se a Igreja da Caridade não olhar a sério para os idosos mais carentes de cada paróquia, estejam onde estiverem a finar-se, o plano ficará por cumprir.