Centro Social Paroquial de Silva Escura lidera projecto que se desenvolve nas nove freguesias do concelho
Está a ser levado a cabo em Sever do Vouga um projecto que pretende promover a inclusão social dos cidadãos dos mais desfavorecidos e combater a pobreza. O projecto, um contrato local de desenvolvimento social (CLDS) dependente do Ministério do trabalho e da Solidariedade Social, chama-se Por Terras de SeVer e tem como entidade coordenadora o Centro Social Paroquial Maria da Glória, de Silva Escura.
Hoje à tarde, pelas 16 horas, será inaugurada a sede oficial do projecto na Casa Paroquial de Silva Escura.
Os CDLS, segundo as informações oficiais, “têm por finalidade promover a inclusão social dos cidadãos, de forma multi-sectorial e integrada, através de acções a executar em parceria, por forma a combater a pobreza persistente e a exclusão social em territórios deprimidos”.
Até 2012, com um financiamento de 450 mil euros, o Por Terras de SeVer vai desenvolver dezenas de acções em todo o concelho, envolvendo mais de um milhar de pessoas. As acções são executadas pelo Centro Social Paroquial Maria da Glória e também pela Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Sever do Vouga e pela Fundação Solidários. No centro do projecto está uma equipa constituída por seis pessoas e lideradas pela educadora social Raquel Leite.
As acções do projecto enquadram-se em quatro “eixos de intervenção”, ou seja, áreas de trabalho: 1) emprego, formação e qualificação; 2) intervenção familiar e parental; 3) capacitação das comunidades e das instituições; 4) informação e acessibilidades.
Entre as acções a desenvolver, por exemplo na área do emprego, estão a criação de espaços de apoio à empregabilidade em cada freguesia (o centro de emprego mais próximo fica em Águeda; em Sever existe apenas um Gabinete de Inserção profissional que recolhe pedidos e ofertas de emprego), o apoio nos aspectos burocráticos e contabilísticos na criação de auto-emprego (há uma técnica disponível para tal), as acções de formação para aumentar as competências de quem procura emprego e a formação em agricultura biológica. Neste eixo as acções poderão chegar a 400 pessoas.
Raquel Leite, responsável pela elaboração da candidatura e agora coordenadora do projecto “no terreno”, salienta que, embora as actividades a desenvolver sejam excelentes, o projecto sobressai mais pela descentralização. “Vamos ser inovadores na aplicação do CLDS, porque vamos estar em todas as nove freguesias do concelho e vamos chegar às pessoas que realmente necessitam”. A educadora refere que se sentiu “vendedora” ao explicar o projecto aos presidentes das juntas de freguesia, mas obteve muito bom acolhimento por parte dos autarcas.
Um resultado já conseguido com o Por Terras de SeVer foi o diálogo que se gerou entre responsáveis de diversas instituições sociais do concelho nos trabalhos prévios à candidatura. “Não havia intercâmbio entre nós, técnicos”, diz Raquel Leite. “Pouco ou nada sabíamos do que os outros faziam. Não havia facilidade de contactos, apesar de sentirmos o apoio da Câmara Municipal. Para existir, este projecto já tiveram de mudar muitos hábitos”, acrescenta. O diálogo entre instituições vai aprofundar-se porque em Maio de 2010 terá lugar a primeira feira social do concelho. A população só tem a ganhar com instituições fortes e a trabalhar em conjunto.
Jorge Pires Ferreira
“Queremos propor um desenvolvimento integral”
A Câmara Municipal de Sever do Vouga pediu ao Centro Social Paroquial Maria da Glória que liderasse o contrato local de desenvolvimento social. A preparação do projecto, com tudo o que implicou de programação de actividades, de rigor financeiro, de previsão de espaços e formadores, foi um trabalho longo e exigente.
O P.e Licínio Cardoso, presidente da direcção do Centro Social, aponta dois grandes motivos para abraçar o projecto. O primeiro “tem a ver sobretudo com a exclusão social”. “Vivemos num concelho com todos os meios necessários, mas com muita gente excluída”, diz ao Correio do Vouga. Ora, “uma das formas de presença da Igreja passa pela promoção das pessoas. Em Silva Escura, o Centro Social não era visto como expressão da solidariedade cristã, mas tem essa matriz identitária. Ao desenvolvermos este projecto, não queremos fazer proselitismo, mas queremos, com propostas sérias, ajudar pessoas. A identidade cristã é como que uma marca de água nas actividades que vamos desenvolver. Naturalmente, todos têm a ganhar com gente esclarecida, culturalmente desenvolvida. A Igreja também”.
O segundo motivo prende-se com o conceito de desenvolvimento subjacente ao projecto. “Queremos propor um conceito de desenvolvimento integral”, afirma P.e Licínio, remetendo para o Papa Paulo VI, que dizia que o desenvolvimento deve ser para todas as pessoas, em todas as geografias e idades, e para a pessoa toda, ou seja, desenvolvimento económico mas também social, cultural, político e espiritual. Sem reivindicar a identidade cristã, as acções assumidas pelo Centro Social Paroquial Maria da Glória “são uma presença cristã ao lado dos que precisam”.
