Direitos Humanos Uma notícia no jornal de ontem deixou-me completamente estarrecido. A manchete dizia “Já morreram 21 crianças indígenas vítimas da desnutrição e do descaso no Mato Grosso do Sul”.
Provavelmente o sucedido não causará muito espanto, uma vez que, infelizmente, a opinião pública tem-se rendido à inevitabilidade do fenómeno da mortalidade infantil nos países “em desenvolvimento”.
Porém, pessoalmente, a notícia chocou-me, não só por dizer respeito a uma causa que me é muito querida – a causa indígena – mas também por ocorrer numa diocese onde os nossos Missionários da Boa Nova trabalham: Dourados, no estado do Mato Grosso do Sul.
Os ameríndios que aí vivem, principalmente os que pertencem à nação Kaiowá, vivem numas condições deploráveis. Como se não bastassem os mais de cinco séculos de violação dos direitos dos povos indígenas, essa nação tem que partilhar uma Reserva com a nação Guarani. São mais de 12 mil ameríndios para uma área inferior a 3500 hectares!
Acabam todos por se ver confinados a um espaço extremamente exíguo, vítimas perpétuas de uma situação de roubo e destruição dos territórios tradicionais, que massacra os indígenas americanos, desde a chegada dos europeus. Hoje em dia, os habitats originais daquelas populações – onde podiam viver, caçar, pescar, colher os alimentos, a matéria-prima para os seus artefactos e habitações – são destruídos pelos madeireiros, pelos fazendeiros e pelas grandes empresas agrícolas que aí se instalam.
É fácil deduzir como tem sido a falta de terra, e a consequente carência na estrutura de produção de alimentos, que tem levado à situação de desnutrição generalizada das crianças daquelas áreas indígenas. Tudo isso, obviamente, agravado pela deficiente estrutura sanitária em que vivem os indígenas de Dourados e que, infelizmente, veio levar à morte, só nestes últimos meses, 21 crianças com idade inferior a cinco anos de idade, vítimas de leptospirose, diarreia e contaminações intestinais!
Qualquer morte é chocante, mas a morte de crianças (indígenas), motivada pelo descaso a que são sujeitas pelos poderes oficiais (e oficializados!), revolta qualquer ser humano com coração. Por isso, hoje gostaria de deixar clara a minha indignação e complementá-la com um apelo urgente: que se possa aceder à página do Conselho Indigenista Missionário – órgão da Igreja Católica no Brasil, que trata da causa indígena – e participar na campanha em favor do respeito aos direitos dos povos indígenas. www.cimi.org. br
Porque as nossas consciências não podem ficar tranquilas!
*O título e o conteúdo desta pequena crónica têm um carácter, propositadamente, alarmista, porque a situação, a que ela se refere, é tão grave quanto é urgente a necessidade de a reverter.
