Após a restauração da Diocese de Aveiro, em 1938, o Arcebispo-Bispo D. João Evangelista de Lima Vidal, como era seu dever, afadigou-se por dar unidade e coesão à nova circunscrição eclesiástica, cujo território tinha sido desmembrado das Dioceses de Coimbra, do Porto e de Viseu. Tornava-se urgente criar uma comunidade à volta do seu Bispo, com os mesmos ideais, com os mesmos centros de interesse e com as mesmas orientações disciplinares. Para isso, pensou em celebrações de nível diocesano e num sínodo para unificar as normas constitucionais; a campanha em favor da construção do Seminário de Santa Joana seria outro elemento – e muito importante – para aproximar e congregar os católicos e, em geral, os aveirenses.
As celebrações litúrgico-formativas foram as primeiras acções que se realizaram. Do elenco constaram as visitas pastorais a todas as paróquias, as diversas peregrinações a Fátima, as várias concentrações festivas em honra da Padroeira de Aveiro e ainda as comemorações das “bodas de ouro” sacerdotais do Prelado, em 1946.
Congressos em tempo de guerra
Dentro deste projecto aglutinador, não se pode esquecer que, de 1940 a 1944, em plena guerra mundial, levaram-se a efeito cinco Congressos Eucarísticos Diocesanos, embora de âmbito arciprestal, com actividades em todas as paróquias de cada um deles, sempre com a devida preparação prévia. Ao longo dos oito dias da respectiva efectivação, houve conferências orientadas por mestres qualificados, distribuição de géneros alimentícios a pessoas necessitadas, comunhão domiciliária aos doentes, pregações nas igrejas, confissões nos lugares de culto, celebrações eucarísticas e adorações ao Santíssimo Sacramento. Eram programas abrangentes. Ainda hoje há quem os recorde como acontecimentos que marcaram na sua vida cristã.
No último dia de cada um deles, sempre se realizou o encerramento, na sede do concelho e arciprestado, com a concentração de milhares de pessoas em espaços ao ar livre, provenientes tanto das respectivas paróquias como das diversas zonas da Diocese, e com a participação de outros Bispos e das autoridades civis. Nesse dia, sempre ao domingo, havia a celebração da Eucaristia, seguida da procissão em direcção à igreja matriz ou a um local pré-determinado. Assim sucessivamente, numa das semanas do verão, aconteceu em Vagos, Anadia, Estarreja, Águeda e Sever do Vouga; em Vagos, um padrão com a respectiva inscrição recorda o acontecimento; erguido no Cabeço das Pedras, no local da concentração, foi depois retirado para a vila, encontrando-se no largo do Espírito Santo. Se a série não prosseguiu nos restantes arciprestados, sendo interrompida, foi apenas em virtude de se ter entrado em cheio na campanha do Seminário.
Quem, por exemplo, em 28 de Junho de 1941, participou no encerramento do Congresso Eucarístico de Anadia, sendo um adolescente da Cruzada Eucarística de Eixo, donde foram sete autocarros repletos de pessoas, jamais poderá esquecer o espectáculo de um estádio de futebol cheio e animado e de uma procissão ao longo das ruas da vila, orientando-se para as imediações da Quinta da Graciosa. Aqui, depois de se passar a ponte dos três arcos e de se cortar à direita, foi a apoteose e a bênção final do Santíssimo Sacramento.
