ÍLHAVO – Imóveis classificados A cidade de Ílhavo tem mais dois imóveis classificados pelo IPPAR – Instituto Português do Património Arquitectónico como de interesse público (e respectivos jardins e muros, e ainda as suas zonas de protecção), os quais são bem representativos do estilo arte nova na região, e situam-se ambos na EN109.
Uma das casas é a conhecida “Vila Africana”, mandada construir por José Joaquim Vaz, e edificada entre 1911 e 1917. Sobre esta vivenda, o historiador de arte aveirense, Amaro Neves, no livro “A Arte Nova em Aveiro e seu Distrito”, refere que “não sendo grande nem aparatosa, é justamente pela harmonia entre a estrutura e as artes decorativas que nela estão representadas que se aponta entre as mais belas desta cidade”, e ainda que “a exu-berância decorativa da fachada sugere tratar-se de autor aveirense. Um equilibrado jogo de planos com cantaria de boa execução e desenho, conjugado com as cores do azulejo, sobretudo o dos frisos em ritmado efeito floral de fino gosto, e da serralharia singela mas bem desenvolvida em temática linear e floral que corre no gradeamento, diz bem da qualidade arte nova a que chegaram os arquitectos e outros artistas aveirenses”.
Ainda que não se conheça o autor do projecto de arquitectura, Amaro Neves aponta para o aveirense José de Pinho, ressalvando, no entanto, “as boas relações profissionais e de muita amizade que havia entre este e o desenhador ilhavense ao serviço no Governo Civil, Manuel Brasoilo Sacramento, a quem pode caber, também, alguma responsabilidade na unidade da arte nova em Ílhavo”.
O segundo imóvel agora classificado é também uma vivenda “arte nova”, situada um pouco mais para norte; ergue-se na esquina da Rua das Ribas (ex-EN109) com a Rua do Cabecinho. Amaro Neves refere que é “uma vivenda de tipo colonial, com largueza de implantação”, sen-do “confecção tardia neste movimento artístico, com marcas do formulário arte nova evidenciado nas arcaduras , sobretudo ao nível do rés-do-chão e nos varandins, tanto pelos decorativos como pelas serralharias, singelas e florais, alternantes com branco e rosa.
C.F.
