Questões Sociais 1. À luz da doutrina social da Igreja e em termos sócio-políticos, poderá definir-se a socialização como o dinamismo de co-responsabilidade pessoal e colectiva: responsabilidade de cada pessoa pelo bem comum de toda a sociedade; e responsabilidade de toda a sociedade pelo bem-estar (ou felicidade possível) de cada pessoa (cfr. artigos anteriores).
Neste momento de crise acentuada e de forte apelo à socialização, é indispensável o apoio consistente às micro e pequenas empresas (já abordado em artigo anterior), sob pena de rejeição do maior potencial de criação de empresas. Indispensável é também o conhecimento solidário dos problemas sociais (de que nos ocupamos neste artigo), bem como a garantia de protecção social básica e a promoção de processos de desenvolvimento (que serão objecto de atenção noutras oportunidades).
2.O conhecimento dos problemas sociais é solidário na medida em que se compromete na procura de soluções para esses problemas. Tal compromisso acha-se vinculado, antes de mais, às pessoas atingidas pelos problemas; todavia, relaciona-se também com todas as entidades envolvidas, ou a envolver, nas respectivas soluções.
Em termos metodológicos e práticos, o conhecimento solidário deverá: (a) – basear-se nas relações de proximidade e nas fichas de atendimento social; (b) – dar origem à consciência colectiva (local ou mais alargada) daqueles problemas e das perspectivas de solução; (c) – brotar da acção e orientar-se para ela; (d) – não deixar de fora nenhum problema, especialmente dos mais graves.
3.O conhecimento científico tradicional também pode ser solidário. É certo que, muitas vezes, abstrai das pessoas e de suas situações. Certo é também que visa mais a elaboração de relatórios, dissertações, livros e documentos semelhantes destinados a currículos pessoais, a decisores (políticos ou outros), à comunidade científica e à opinião pública.
Apesar de tudo isto, o conhecimento científico reune todas as condições do conhecimento solidário. E, independentemente de as reunir, oferece consistência e aprofundamento a estoutro conhecimento.
Acção social sem conhecimento solidário é um logro muito grave, em que a nossa prática vem caindo sistematicamente. Em contrapartida, avançou muito o conhecimento científico, no domínio social, ao longo dos últimos cinquenta anos.
Desejável é que o conhecimento científico não atrofie o solidário e se integre nele – enriquecendo-o e sendo por ele enriquecido.
