Apesar de tudo, o Reino de Deus está a crescer

À Luz da Palavra – XVI Domingo do Tempo Comum – A A liturgia deste domingo convida-nos a descobrir alguns atributos do nosso Deus, a sua paciência e misericórdia. Deus não marginaliza a pessoa que peca, mas, pelo seu perdão, reintegra-a na comunidade do «Reino». A liturgia desafia-nos, sobretudo, a interiorizar este modo de proceder de Deus, deixando que ele marque o nosso olhar sobre o mundo e as pessoas.

A primeira leitura retrata um Deus benevolente e imparcial; a sua bondade e misericórdia superam a vontade de castigar, porque Ele não quer aniquilar os pecadores, mas estimulá-los à conversão. Agindo assim, Deus convida-nos a sermos “humanos”, isto é, a termos um coração tão misericordioso e tão indulgente como o seu. O texto convida-nos a interiorizar este modo de ser e de fazer de Deus, isto é, a deixarmo-nos impregnar pela lógica do amor e da misericórdia e a permitir que esta lógica transpareça nas nossas palavras e gestos.

A segunda leitura acentua, de outro modo, a bondade e a misericórdia de Deus. Diz-nos que o Espírito Santo, dom do Pai e do Filho, vem em auxílio da nossa fraqueza. O Espírito age, continuamente, na nossa história colectiva e individual, oferecendo-nos a vida de Deus, orando em nós e levando a nossa oração até ao coração de Deus. O texto conforta-nos, ao afirmar que o grande orante, em nós, é o Espírito Santo, que está unido ao Pai e ao Filho e que intercede por nós de acordo com a vontade de Deus.

O evangelho coloca-nos diante de três parábolas sobre o Reino dos Céus, para sublinhar que se trata do Reino do Além e não das coisas que nascem e morrem neste mundo. Assegura-nos que o «Reino» está em processo de crescimento, no mundo. É verdade, que é difícil perceber essa semente a crescer ou esse fermento a levedar, quando vemos violências, injustiças, prepotências… a multiplicarem-se. É difícil acreditar que o «Reino» está em processo de construção, quando o materialismo, o comodismo, o efémero sobressaem… A Palavra de Deus convida-nos, contudo, a activar a nossa espe-rança. Apesar das aparências, o dinamismo do «Reino» está presente, fermentando a nossa história colectiva e individual. Este «Reino» começou com Jesus, como uma pequena semente, um fermento. Ele entregou-nos a responsabilidade de o fazer crescer, através do investimento das nossas energias a favor dele. As desgraças não são enviadas por Deus, porque Ele não semeia joio. Somos nós que construímos ou destruímos, de acordo com as alianças que fazemos.

Leituras do XVI Domingo: Sb 12,13.16-19; Sl 86 (85); Rm 8,26-27; Mt 13,24-43

Deolinda Serralheiro