São Bento, padroeiro da Europa

Mensageiro de paz, artífice de união, mestre de civilização e, antes de tudo, arauto da religião de Cristo e fundador da vida monástica no Ocidente, tais são os títulos que justificam a glorificação de S. Bento, abade. Enquanto se esboroava o Império Romano, agora chegado ao termo, enquanto algumas regiões da Europa mergulhavam nas trevas e outras não conheciam ainda a civilização e os valores espirituais, foi ele quem, com um esforço constante e assíduo, fez erguer-se sobre o nosso continente a aurora de uma nova era. Foi especialmente ele com os seus filhos que, com a cruz, o livro e a charrua, trouxe o progresso cristão às populações que se estendiam do Mediterrâneo à Escandinávia, da Irlanda às planícies da Polónia.

Com a cruz, quer dizer, com a lei de Cristo, reforçou e desenvolveu a organização da vida pública e privada. Convém recordar que ele ensinou aos homens o primado do culto sagrado com o Ofício Divino, isto é, com a oração litúrgica e assídua. Depois, com o livro, quer dizer, com a cultura, no momento em que o património humanista ia perder-se, S. Bento, dando a tantos mosteiros fama e autoridade, salvou com uma solicitude providencial a tradição clássica dos antigos, transmitindo-a intacta à posteridade e restaurando o culto do saber. Por fim, com a charrua, quer dizer, com a agricultura e com outras iniciativas análogas, conseguiu transformar terras desertas e incultas em campos fertilíssimos e graciosos jardins. Unindo a oração ao trabalho material, conforme a sua divisa famosa: “Ora et Labora” (Reza e trabalha), enobreceu e exaltou o trabalho humano. Por isso, Pio XII deu com razão a S. Bento o título de “pai da Europa”.

Texto retirado do breve “Pacis nuntium” de Papa Paulo VI (1897-1978). A Festa Litúrgica de São Bento celebra-se no dia 11 de Julho. Pio XII proclamou-o “Pai da Europa”, e Paulo VI, seu primeiro padroeiro (24/10/1964, aquando da reconstrução da Basílica de Montecassino).