Colaboração dos leitores Passamos a vida à espera de ter tempo…
E o pior é que o tempo que esperamos,
É tempo para o essencial.
Sim,
Tempo para pensar a vida ou para rezar;
Tempo para responder às cartas
ou para visitar um doente;
Tempo para dialogar problemas ou para ouvir os outros;
Tempo para descansar
ou programar calmamente o futuro…
Passamos a vida à espera de ter tempo
Ou então a trabalhar afadigadamente
para depois ter tempo.
Mas tanto nos viciamos nesta lufa-lufa
Que das duas uma:
Ou caímos de cansados,
Ou quando esse tempo vem,
Já não sabemos senão esgotá-lo na rotina que criámos.
O tempo não é inesgotável,
E foi-nos dado para o essencial;
Importa começar por abrir nele,
No tempo que hoje nos é dado,
Clareiras destinadas ao essencial,
Porque o resto é que pode esperar.
Se colocamos esse essencial
No horizonte longínquo dos nossos ideais,
Corremos o risco dramático de não o chegar a viver
E a nossa existência seria uma oportunidade perdida!
Poema do Cónego Carlos Paes (de Lisboa), enviado por Cristina Ribau
