1 – Milhares de crianças, adolescentes e jovens estão a iniciar um ano de trabalho. É um ano escolar, que, como sabemos, pesa sempre muito no itinerário educativo de cada um. A escola tornou-se o espaço aglutinador das iniciativas de desenvolvimento dos que estão a crescer. Por motivos bons e menos bons. Porque o Estado tomou a peito o esforço de proporcionar a todos a satisfação deste direito; porque a sociedade elevou os seus padrões de cidadania. Mas também porque a sociedade e os que a gerem desencadearam mecanismos laborais e resultados sociais que impedem as famílias de cumprirem a parte que lhes cabe; porque muitas famílias, eivadas de comodismo e sede de prazer, fazem desaguar na escola o que poderiam e deveriam assumir com dedicação.
2 – Esta macrocefalia “educativa” não é salutar. Sobretudo quando ela representa um quase monopólio estatal das escolhas educativas. E quando muitos dos agentes “educativos” na escola o não são de facto, mais se aproximando de mercenários, em busca dos seus interesses económicos e dos benefícios sociais inerentes a uma vinculação ao Estado. A pluralidade de oferta, não tanto concorrencial, mas complementar, dando possibilidade à Família – ou ao educando, quando é já de sua responsabilidade – de optar pelo quadro de valores desejado, é condição indispensável para se reencontrar o equilíbrio. A diversidade constituirá um enriquecimento de perspectivas e projectos educativos.
3 – Mas seja qual for a situação, certo é que não se podem separar as funções da Família e da Escola. É estranho ouvir, de um responsável de associações de pais, dizer que “a Escola é o lugar do trabalho” e “a Família é o lugar dos afectos”. A Escola tem crianças, adolescentes e jovens durante muitas horas por dia. Será que o trabalho se faz sem afecto? Para os mais pequenos, o trabalho não terá, muitas vezes, de se misturar com o colo? Como é que se fará formação transversal em valores, sem este valor fundamental que é uma relação afectuosa – único suporte didáctico adequado?
4 – E depois é a questão da casa como “lugar dos afectos”. Significará isso que, ao perguntar ao filho ou à filha o que se fez na escola, como correu o dia, em que dificuldades é que, como pais, podem ajudar, o que é que podem aprender com os filhos… não é tudo isto uma forma prática de viver os afectos? Será que os pais de hoje são tão ignorantes que não sejam capazes de estudar uns minutos com os seus filhos?… Os trabalhos de casa – que não devem ser para “vencer matéria”, mas para exercitar competências, não serão uma ocasião óptima, um momento privilegiado, para a aproximação da família, para o “jogo dos afectos”, em vez da entrega solitária ao espaço de cada um, ao entretenimento de cada um?
5 – Todas as instituições e comunidades educativas são poucas, para que resulte eficaz a proposta de quadros de valores, dada a dispersão e superficialidade com que o mundo do consumo alicia a nossa gente nova. Em vez de defendermos orientações políticas da Educação (clarissimamente!) – o que é vedado pela Constituição – promovamos as sinergias para vencermos a batalha da Educação!
