O melhor pode estar para vir

À Luz do Dia Embora muitos só façam propósitos no fim de cada ano, alguns aproveitam o Verão para fazer planos a curto e médio prazo. Seja porque o tempo de férias rende de outra maneira, seja porque a rentrée obriga a ter novas estratégias, acontece-nos com frequência usar o tempo de descanso para trabalhar interiormente algumas questões.

Pode ser um trabalho invisível ou uma ocupação de fundo, levada com maior ou menor intensidade; mas, na realidade, sempre que entramos neste processo de regeneração, as coisas mudam e, em muitos casos, melhoram.

Falo de planos pessoais, profissionais e outros. Falo da relação connosco, com os outros e entre pares, portanto. Melhorar a qualidde de vida passa obrigatoriamente por melhorar a qualidade destas relações e não existem caminhos alternativos.

Tal como o ano novo é, por definição, a altura em que decidimos fazer quase tudo de novo, também as férias trazem esta certeza de que é possível emendar a mão aqui ou ali e recomeçar com outro alento. Apetece, aliás, que alguma coisa mude a partir do momento em que voltamos ao trabalho e às rotinas do dia-a-dia.

Diz quem sabe que a maior tentação nestas alturas de balanço é querer mudar tudo (e todos) ao mesmo tempo e que é justamente este cúmulo de propósitos, objectivos e metas que muitas vezes nos impomos que nos impedem de avançar. Assim sendo, a proposta dos especialistas em comporta-mento, motivação, liderança e afins é a de nos centrarmos apenas num aspecto da nossa vida. Um e um só. Um ponto central, a partir do qual seja possível começar a dar passos concretos.

Outra tentação comum é o perfeccionismo, dizem. Querer mudar muita coisa, tudo ao mesmo tempo e, ainda por cima, de uma forma perfeita e definitiva, são erros crassos. E clássicos. Por tudo isto, a estratégia para melhorar e evoluir não pode passar nunca pelo imediatismo, pela multiplicação ou pela dispersão. Muito pelo contrário, passa pela concentração. Por um processo razoavelmente demorado de observação, identificação, conhecimento e amadurecimento do ponto central que é preciso melhorar em nós ou à nossa volta. Importa, por isso, atender mais ao que é preciso desenvolver do que ao que é preciso corrigir. Ou seja, emendar defeitos ou situações passa por desenvolver as qualidades contrárias. A atitude mais sábia e que pode colher mais e melhores frutos é a de nos centrarmos no potencial de virtudes em vez de nos focarmos obsessivamente nos defeitos. Parece difícil e de alguma forma pouco eficaz, mas na verdade resulta. Corrigir sempre se revelou infinitamente mais produtivo e luminoso do que castigar. Até porque corrigir implica uma vontade séria e um investimento duradouro e fecundo, enquanto que castigar pode ser apenas uma reacção do momento, geradora de sentimentos de culpa e, por isso, sem grandes consequências no futuro.

Por tudo o que fica dito e porque ainda corre este tempo de calor e dias compridos em que uns estão de férias enquanto outros trabalham a um ritmo diferente do que é habitual, sem filas de trânsito e o stress do costume, vale a pena pensar que, por mudarmos apenas uma coisa em nós ou à nossa volta, o melhor pode acontecer.