Indeferentismo religioso e a ignorância da verdade

Colaboração dos Leitores Na segunda-feira passada, um dos jornais gratuitos que são distribuídos nos transportes públicos dos grandes centros urbanos trazia, nas suas notícias breves, o seguinte facto: “Dois professores e um empresário, praticantes de ritos satânicos, foram identificados pela GNR na passada semana, por terem vandalizado o interior da capela de Nossa Senhora do Monte, em Tarouca. Os três homens, com idades entre os 22 e os 32 anos, destruíram o altar, partiram imagens e cruzes e queimaram diversos objectos de culto”.

O que me chamou a atenção não foi tanto o facto de a capela ter sido vandalizada e profanada ou serem praticantes de ritos satânicos, mas o nível cultural e a idade de quem praticou estes actos. Eram dois professores e um empresário ainda jovens.

Isto demonstra o défice cultural e religioso que muitos jovens adultos possuem. O indiferentismo religioso e a ignorância da verdade da fé cristã leva muita gente a adoptar ritos e cultos esotéricos e estranhos à matriz cultural cristã do nosso povo. Isto são sintomas de um povo profundamente descristianizado e ocorre em regiões tidas como possuidoras de uma fé cristã profunda.

É certo que a motivação dos vândalos e profanadores não é tanto satisfazer os seus desejos, mas escandalizar os crentes através da destruição daquilo que para eles é mais sagrado. A ignorância não tem estatuto nem posição social. Sabemos, por outras fontes, que muita gente pertencente a estratos económicos e culturais altos se está a deixar enredar por estas práticas, tendo como único objectivo a obtenção de bens imediatos, como o sucesso, o poder e o dinheiro.

São sinais dos tempos que correm, tempos de desnorte e de abandono da verdade. A confusão instala-se e as pessoas buscam em coisas ridículas as suas verdades. Os praticantes destes rituais fazem-no por antonomásia aos ritos cristãos, pois se os cristãos fazem assim, nós fazemos ao contrário. O que eles não sabem é que os verdadeiros adoradores de Deus o adoram em espírito e verdade. As igrejas e capelas são as casas de oração da Igreja – Povo de Deus, não são templos como os dos ritos pagãos. A Igreja – Povo de Deus, reúne-se em qualquer espaço e faz dele espaço sagrado pelo facto de estar reunida em nome de Cristo. As igrejas e capelas são casas dedicadas à reunião do Povo de Deus e por isso são sagradas.

Pobres gentes que buscam nas trevas a verdade, quando a verdade e a luz é Jesus Cristo. Como diz S. João no seu Evangelho (Jo 1, 4-5): “Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam”.

Este acontecimento deixa um alerta às comunidades cristãs e aos seus presidentes e responsáveis: é preciso empreender uma nova evangelização da nossa população, porque a ignorância da Boa Nova leva muitos a trilharem os caminhos das trevas.

Sérgio Carvalho