Colaboração dos Leitores Eu sou um pobre aldeão, um aliterado como agora se diz, não alcanço por aí além a vida dos professores, mas que deve ser muito complicada, disso não tenho dúvidas!
Há um rol de dificuldades por parte dos pais e uma montanha de obstáculos do lado dos alunos. Aqueles pensam que, entregando os filhos à escola, têm os problemas resolvidos; estes por sua vez, julgam que são donos daquela instituição e, por isso, cada um pode fazer o que lhe ditar a real gana… E num país de brandos costumes como o nosso, em que a autoridade anda pelas ruas da amargura, as coisas complicam-se ainda mais.
Eu, que uma vez por outra ouço rádio, vejo televisão, ou leio algum jornal, observo que estão a fechar muitas escolas, sobretudo as primárias…
Nem outra coisa seria de esperar! Com o jeito que as coisas levam, os alunos são cada vez menos, enquanto que os professores não param de aumentar a olhos vistos!
Ainda há pouco tempo se lia que os portugueses são uma raça em extinção. Os acidentes no trabalho e nas estradas; o alcoolismo, em que levamos a camisola amarela; a corrupção nos vários domínios; a droga que parece uma fatalidade. E sobretudo, a limitação da natalidade, em que as famílias se assemelham a fontes sem água ou árvores que não frutificam. Disse alguém que, ao chegarmos a dois mil e cem, estaremos reduzidos à expressão mais simples.
O facilitismo em vez da disciplina; o prazer fácil em vez da castidade; o gasto sem medida em vez da poupança; a falta de autoridade em vez do respeito mútuo; a bagunçada em vez da ordem social. Assim não vamos a lado nenhum!
Não há orçamentos que bondem. É por estas e por outras que temos um buraco de milhões no orçamento rectificativo. Quem vai pagar a conta?
Agora o que nos safa são as transferências milionárias do futebol e os campeonatos das primeira e segunda ligas, que vêm a caminho! Resta-nos a esperança, que é a última a perder-se.
Assim Deus nos conceda essa grande virtude.
Eduardo Rodrigues
