Livro O actual arcebispo de Milão explica o Credo. É necessário. Aquilo que se repete todos os domingos parece cada vez menos assimilado
Fazem falta explicações da fé católica. Explicações simples, mas que não sejam infantilizantes – para as crianças. Explicações que sejam sedutoras sem baixar a fasquia – para os jovens. Explicações estimulantes mas seguras – para os intelectuais. Explicações para quem teve uma catequese tradicional, mas depois se afastou da Igreja. Explicações para adultos, para cristãos de fé tradicional, para idosos…
É estranho não haver mais explicações do “Eu creio” / Credo.
Ignora-se o défice de inteligência da fé, talvez à força da crença de que basta a repetição dominical. Mas uma verdade mil vezes repetida pode continuar a nada dizer à vida. Isto por um lado. Por outro, como dizia Fernando Pessoa, “o mundo, à falta de verdades, está cheio de opiniões”. E alguns católicos, digo eu, à falta de faróis, seguem qualquer pirilampo (astrólogos, horóscopos, videntes, reencarnações, superstições…). Não há explicações acessíveis, embora sejam cada vez mais necessárias.
Devia ser simples qualquer pessoa entrar numa livraria e encontrar a fé explicada em várias linguagens. O pluralismo assim exige. A evangelização assim devia responder.
O cardeal Dionigi Tettamanzi inspira-se no “Sábado da entrega do Credo” para escrever este livro. Na Antiguidade, nesse sábado da Quaresma, os adultos que queriam ser cristãos recebiam o texto do Credo. Passados uns dias, devolviam-no, depois de decorado e assimilado.
Esta explicação do bispo, “mestre da fé”, é uma reentrega porque, visto que os tempos não são estáveis como na Antiguidade, uma única entrega não chega para que o Credo volte a ser regra, norma e “critério claro e seguro para todas as escolhas e comportamentos”.
Para termos ideia do estilo desta explicação, vejamos uns parágrafos sobre a catolicidade da Igreja.
“O título de «católica» é um título que evoca a ideia de plenitude: significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade»”. Originariamente, opõe-se à experiência do faccionismo, da divisão e da parcialidade.
Professar na fé a «catolicidade» da Igreja é recusar a atitude de quem selecciona algumas partes da experiência e da verdade de fé em desfavor de outras, mantendo somente as que lhe agradam mais.
É empenhar-se num diálogo e numa comunhão universais. É evitar todo o tipo de encerramento na sua realidade de Igreja e toda a forma de particularismo”.
J.P.F.
