Porque ir a um encontro deste género?

Participar num encontro internacional é sempre oportunidade para uma abertura maior ao mundo que nos rodeia. Na experiência de confronto sadio com outras culturas, tradições e pontos de vista, saímos sempre a ganhar. Contudo, um Encontro Europeu de Taizé tem algo mais. Não posso esquecer uma altura em que, em Taizé, o Irmão Roger se dirigiu a alguns portugueses partilhando que, naquele sítio todos procuravam alguma coisa, mais ainda, todos procuravam serenidade, todos procuravam Deus, alguns, já o faziam há umas dezenas de anos, outros tinham acabado de chegar de autocarro para empreender essa aventura, mas a procura era sempre a mesma. Num Encontro Europeu, o que se pretende é alargar o espaço e a oportunidade da procura, tentando transladar a proposta e o ambiente que se pode viver em Taizé, para o centro de uma grande cidade. Com certeza que não é a mesma coisa estar numa pequena aldeia ou ir a uma grande cidade. Penso, no entanto, que uma das lições que se pode tirar do esforço desta comunidade é a de que, mesmo no centro das cidades agitadas pela ocupação levada ao extremo, é possível gerar momentos de paz, oásis de encontro com Deus na serenidade. Desta forma, a própria cidade acaba por ser desafiada a entrar numa lógica de vida diferente.

Assim, o Encontro Europeu pode-se transformar em verdadeira Peregrinação da Confiança sobre a Terra: uma confiança que se estende a todos os jovens que se deslocam ao encontro, às pessoas que durante meses o preparam com os Irmãos, às famílias que acolhem participantes, à cidade que recebe a iniciativa.

Numa experiência de partilha e descoberta, de alegria transbordante não apenas para além das diferenças, mas contando com as próprias diferenças, jovens (não apenas do continente europeu) descobrem uma nova forma de estar na vida, onde a fraternidade pode ser uma certeza. E trata-se de uma certeza que nasce de Cristo, esse mesmo com quem se encontram em momentos de oração marcados pela simplicidade e silêncio… Momentos de paz que sustêm a vivência de um encontro onde também há tempo para o divertimento, para a discussão de temas em grupos internacionais, para a descoberta da cultura local, para simples momentos de conversa com pessoas vindas do outro lado do mundo…

Pe. Rui Barnabé