Ponta de Lança À partida o título pode prestar-se a equívocos. Todos os que sentem algum enfado com o enredo novelesco de uma das nossas estações de televisão, com um nome muito similar, terão aparentemente razão para “mudar de canal”, isto é, de página, e seguir em frente porque a matéria não é sedutora. Na verdade, não queremos enveredar pelos caminhos de qualquer saga que, com algumas imprecisões de contexto, tem excelentes guionistas para vender os seus produtos. Os nossos jovens adoptaram o estilo dos actores, o guião (que conterá o objectivo último, não corre qualquer risco de imponderável) é tratado na vida como se fosse a sério, o vocabulário mudou! As linhas orientadoras do cenário (como se sabe centradas em muito do que será uma escola), as práticas (tratando-se de uma novela são repetidamente ensaiadas até darem certo) pouco ou nada têm de autêntico,… e a ficção passa a dominar o conceito, a vida!
A caixa que mudou o mundo e não houve problemas, agora muda as nossas as vidas, muda-nos a nós próprios. É preciso que não nos domine!
Hoje o assunto é mesmo futebol. Apesar de (tentarmos) não alinhar pelo colectivo, na massa dos que exacerbam as vitórias e se aniquilam com as derrotas, há, depois do mais recente Benfica-Porto, um pormenor que deve ser realçado: a postura dos dois técnicos holandeses! Pessoas do norte da Europa, mais cerebrais na postura, é certo, mas de grande eloquência na abordagem que fazem a uma coisa tão simples, um jogo de futebol. Nada de amuos, de desvarios, de gritos de raiva ou tempestade. Serenidade! Apenas serenidade. Louvem-se os holandeses!
A terminar, a questão da linguagem e da comunicação, mas um pormenor sobre as mudanças rápidas. Se na novela dos jovens talvez valha a pena reflectir sobre o uso da língua materna – qualquer dia ninguém fala português (mais ou menos, …qql dia ng fala pt…), Co Adriaanse, técnico do Porto, homenageia todos os que, tal como nós portugueses, emigraram para outras paragens e, sem saberem uma palavra da língua do destino, adoptam uma postura de inculturação. Aqui mas não falando português, aqueles monossílabos têm uma sonoridade mais doce!
Enfim, coisas da escola, da escola a sério porventura!?
Desportivamente… pelo desporto!
