Ponta de Lança É normal, entre nós portugueses, abordarmos as questões de sobranceria, de arrogância, de superioridade com despesismo ou, pura e simplesmente, indiferença. Muitas vezes, à indiferença sempre se atribui um ou outro epíteto, acompanhado do sarcasmo que aniquile, que arrase a concorrência; por exemplo, “quem anda à chuva… molha-se”, “quem brinca com o fogo…queima-se”, “quem cospe para o ar…” arrisca-se a levar em cima com o expelido, concluir-se-á!
Vem isto a propósito da situação vivida por José Mourinho, estes dias, em que vai jogar a Barcelona. O técnico português, bastante idolatrado pelo mundo inteiro, consegue demover impossíveis, afastar os próximos, unir os distantes, e criar, como ninguém, a sensação de que anda mesmo a brincar com o fogo mas não se queima; o que vem contrariar o provérbio.
A postura livre, independente, ganhadora, provocatória, autónoma, segura, dá confiança a uma nação, a nação da cortiça (segundo o mais recente spot publicitário que o treinador do Chelsea protagoniza). Passou a ser, na versão de muitos, um ícone nacional!
Independentemente de concordarmos ou não com a maioria, a verdade é que os nossos ícones nacionais estão progressivamente a mudar de figura. Aquela imagem anafada do Zé Português apresenta-se ao mundo com uma postura elegante, seráfica, onde não falta um bom fato e os cabelos grisalhos! Todavia, também aqui pode não haver novidade quanto às novas tendências, mas aí os temos: Cavaco Silva, José Sócrates, José Mourinho e…José Povinho: os rostos de uma nação! Só é pena que o Presidente da República não seja José!
E será que para triunfarmos, na Europa e no mundo, vamos assumir a postura de Mourinho, de um contra todos e de todos contra nós?
Com certeza que não… mas teimosinhos (ou persistentes) eles são!
Desportivamente… pelo desporto!
