À Luz da Palavra – Ascensão do Senhor – Ano B Celebramos, neste domingo, a solenidade da Ascensão do Senhor, que nos fala do nosso destino final: ir para o Pai como Jesus. Esta afirmação significa que, pela sua Ascensão, Jesus não entra num lugar mas numa nova dimensão. O seu corpo humano adquiriu a glória e as propriedades de Deus, que Ele tinha antes de encarnar. É uma solenidade de esperança, pois com Cristo todos nós subimos ao Pai na esperança e na promessa. A Ascensão do Senhor recorda-nos que o céu é a nossa meta e que a vida terrena é o caminho para conseguir atingi-la. Esta é a missão que Ele nos confia!
A primeira leitura relata-nos o facto da Ascensão do Senhor. Jesus convida os seus amigos a subir com Ele o monte das Oliveiras e, ali mesmo, se despede, começando a elevar-se à vista deles, e uma nuvem escondeu-o a seus olhos. Porém, antes de se elevar, o Senhor Jesus confia-lhes uma grande missão: a de serem suas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos con-fins da terra. Mas, como os discípulos estavam pasmados a olhar para o céu, foram sacudidos por dois homens vestidos de branco, que os despertaram para a “missão”. Esta consiste em tornar realidade o projecto libertador do Pai junto dos irmãos e irmãs. O meu testemunho de vida tem transformado a realidade que me rodeia, ou vivo alienado dessa realidade? Qual o impacto desse testemunho na minha família, no local onde desenvolvo a minha actividade profissional, na minha comunidade cristã?
O evangelho explicita a “missão” confiada por Jesus aos seus amigos, quando os envia ao mundo inteiro e a todos os povos. Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam. Foi deste modo que esta palavra chegou até aos nossos ouvidos, penetrou no nosso coração e mudou a nossa vida. E se estes homens e mulheres se recusassem a cumprir a “missão” que Ele lhes confiou? Hoje, nenhum de nós confessava que Jesus é o Filho de Deus. Vivíamos nas trevas, como muitos dos nossos contemporâneos. Esta “missão” está, hoje, nas nossas mãos e no nosso coração. É o mesmo Senhor que nos envia. Partir, não significa, para muitos de nós, deixar a sua casa ou a sua terra. Partir, é, antes de mais, um movimento interior. É sair de si e abrir-se aos demais, para lhes falar de Jesus Cristo e da sua força transformadora. Quem está livre para partir?
A segunda leitura convida-nos a reavivar a nossa esperança no chamamento que Deus nos faz: vivermos em plena comunhão com Ele. A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um “corpo”, destinado à vida plena. Dizer que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa vivermos numa comunhão total com Ele e em solidariedade total com todos os nossos irmãos e irmãs, membros do mesmo “corpo”, alimentados pela mesma vida. Como vivo estas duas coordenadas na minha existência?
Leituras da Ascensão do Senhor: Actos 1,1-11; Sl 47 (46), 2-3.6-7.8-9; Ef 1,17-23; Mc 16,15-20
Deolinda Serralheiro
