São Pedro não sabia latim

Livro Em “O Testamento do Pescador”, quase nada é ficção. Duas personagens e o enredo, sim. Os fios que compõem o tecido, não. O romance consiste no relato de um militar romano, Marco Júnio Vitalis, mais conhecido por “o Asiático”, sobre um acontecimento que lhe pesa na alma “como uma laje de mármore”. Que acontecimento? O interrogatório, por parte do imperador romano Nero, de um velho que não sabe latim e que se dá pelo nome grego de Cefas — Petrós, na língua que se fala em Roma. Petrós sabe que vai morrer; e por isso está a ultimar o seu testamento com o ajudante Marcos. Ao longo do interrogatório ao velho pescador judeu, o militar vai descobrindo uma história que abala o império e, mais do que isso, transforma a sua vida.

Este parágrafo resume a história do livro, mas não creio que retire a vontade de o ler. O difícil, mesmo, é parar de ler, logo a partir do primeiro parágrafo. Os cem mil exemplares vendidos em Espanha atestam-no.

César Vidal nasceu em Madrid, em 1958, e é doutorado em História e Filosofia. Escreve no diário “La razón” e colabora com a rádio “Cope” e a televisão “Antena 3”. Publicou quatro romances históricos, entre os quais “Yo, Isabel la Católica” e “La mandrágora de lãs doce lunas”, que lhe valeu o prémio “Crítica” em 2002.

J.P.F.

O Testamento do Pecador

Cézar Vidal

Ed. Tenacitas

240 páginas