Do tormento da doença à Boa Nova do Reino

À Luz da Palavra – V Domingo do Tempo Comum – Ano B A liturgia deste domingo convida-nos à reflexão da comum situação existencial de cada pessoa, enquanto peregrina sobre a terra. Todos nos sentimos atormentados por qualquer doença, sofrimento ou provação. Porém, a Palavra afirma-nos que Jesus é capaz de nos libertar, de dar sentido ao que nos aflige e de nos abrir a perspectiva da ressurreição, onde não haverá mais lágrimas, nem dores.

A primeira leitura conta-nos a angústia permanente de um homem crente, chamado Job, que, julgando-se amigo de Deus e cumpridor dos seus mandamentos, nem por isso se vê livre de tantos males que o afectam. Deus parece indiferente ao desespero em que se encontra e Job não vê sentido para tão grande tormento. Ele é justo e bom; não merece, pois, tal “castigo” de Deus – pensa. Apesar disso, é a Deus que Job se dirige, pois sabe que Ele é a sua única esperança e que fora dele não há possibilidade de salvação. Nos capítulos seguintes deste livro, Job chega à compreensão de que o bem ou o mal que acontece a uma pessoa nada tem a ver, directamente, com o seu bom ou mau comportamento. O sofrimento não tem explicação, mas encontra sentido em Jesus Cristo, na sua entrega à morte de cruz e na sua ressurreição. Procuro encontrar na morte e ressurreição de Jesus o sentido para o meu sofrimento e para o alheio?

O evangelho narra-nos um dia protótipo da actividade de Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem. Nesse dia, Jesus anuncia a Boa Nova do Reino com palavras e actos salvadores. Devolve a saúde aos doentes, livrando-os de todas as suas enfermidades e expulsando muitos demónios, que atormentavam os seus ouvintes. A acção libertadora de Jesus a favor das pessoas começa a manifestar esse mundo novo sem sofrimento, nem opres-são, nem exclusão, que Ele anuncia. Porém, no meio desta agitação, Jesus descobre tempo para se encontrar a sós com o Pai, em íntima oração. É esta intimidade que dá constante sentido à sua vida e que unifica tudo o que diz e faz para glorificar o Pai e servir os outros. Como me situo face à minha relação com Deus, no decurso do meu dia agitado com mil e uma tarefas inadiáveis? Procuro e encontro tempos e espaços de oração, para que tudo encontre unidade e sentido em Deus?

A terceira leitura fala-nos do compromisso de Paulo com o anúncio do Evangelho. É uma obrigação que lhe foi imposta, um cargo que lhe foi confiado por Jesus, o de testemunhar a sua acção libertadora. Tudo faz para cumprir esta sua missão; e é na fidelidade à urgência deste serviço, na fé e no amor a Jesus Cristo, que Paulo experimenta a alegria da sua liberdade interior. Como cristão e cristã que sou, sinto que tenho também o dever de anunciar o Evangelho ou reservo esse dever só para os padres, catequistas? Como o faço? A palavra deste domingo convida-me a deixar-me interpelar pela acção benfazeja de Jesus no meio do seu povo, a exemplo de Paulo. “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!”

Leituras do V Domingo do Tempo Comum: Job 7,1-4.6-7; Sl 147 (146); 1 Cor 9,16-19.22-23; Mc 1,29-39

Deolinda Serralheiro